domingo, 22 de fevereiro de 2009

A verdadeira Cuba, para quem ainda não sabe ou se recusa a ver

Durmiendo con el enemigo

Por Miriam Celaya, do bolg cubano Sin EVAsión, em 17 de fevereiro de 2009 

El pasado martes, 10 de febrero, mi esposo, Oscar González Ulloa, fue interrogado por la policía política. Los testaferros del régimen suelen llamar a tales interrogatorios “entrevistas”, pero mi estilo siempre se ha inclinado a llamar las cosas por su justo nombre, sobre todo si dicho encuentro no contó con la anuencia del supuesto “entrevistado” y estuvo matizado por las habituales amenazas amigables de los compañeritos contrainteligentes de la llamada Dirección 21 del Ministerio del Interior.

El lunes 9, pasadas las 10:30 pm, mi esposo, ingeniero electromecánico vinculado directamente a la navegación mercante por más de veinte años, recibió en casa una llamada telefónica: estaba siendo citado por “Selecmar”, su agencia empleadora cubana, para que se presentara a las 9:00 am de la mañana siguiente en las oficinas del “subdirector de operaciones” para una reunión de trabajo. Aunque la llamada se produjo ya bien entrada la noche –detalle del que ambos recelamos- existía la posibilidad real de que se tratara de una citación laboral toda vez que ya él lleva en tierra casi cuatro meses y debía comenzar el alistamiento para el nuevo enrolo (chequeo médico, etc).

No sabíamos que ya todo estaba preparado para la representación de estos artífices de la mentira y el engaño. El escenario fue la oficina del subdirector de “Selecmar”; los actores, dos oficiales de la Seguridad del Estado (uno “bueno”, conciliador, coloquial, casi amoroso; y otro “malo”, callado, adusto, severo); el guión fue el de siempre: “sabemos en lo que está tu esposa, de la gente con la que se reúne, que tu carro se ha utilizado para transportar contrarrevolucionarios y documentos, no vamos a permitir nada que atente contra la seguridad del Estado…etc”. Una “entrevista” salpicada de amenazas no muy disimuladas, como las referidas a dejarlo desempleado (“¿te gusta mucho tu trabajo, Oscarito?, tú siempre has sido un buen profesional…”); de preguntas aparentemente encaminadas a elevar su ego machista (“Tú eres el cabeza de familia, esto no es con tu mujer… pero esa Yoani y el grupo con el que se relaciona”); de sugerencias acerca de que está siendo engañado por mí (“¿Tú crees que te lo sabes todo?…”). Y como colofón, como estocada maestra al final del dulce encuentro, la pregunta más infame: “¿Y tu hijo?…”. Una amenaza directa a nuestro hijo menor, de 20 años, estudiante, completamente ajeno a cualquier tipo de activismo político y dedicado por entero a sus estudios y a su pasatiempo favorito, la música. Un botón de muestra de lo despreciable y sórdido de este sistema, un total desprecio por los valores familiares, que es el verdadero rostro del socialismo cubano.

Tengo la enorme satisfacción de declarar que mi esposo no flaqueó, que rechazó “colaborar”, que manifestó su respeto por mí y por lo que hago, que defendió punto por punto sus verdades (que también son las mías) a riesgo de la pérdida de su trabajo -que ha sido durante años la única fuente relativamente segura del sustento familiar- y de cualquier otra represalia. Hasta ahora mantuve la verdad de que el régimen y sus métodos fascistas no habían molestado a mi familia; el 10 de febrero de 2009 marcó el final de lo que solo era un seguimiento indirecto, con preguntas e investigaciones a nivel de vecindario y de CDR y se inició la fase de hostigamiento por parte de un gobierno que, de facto, honra los principios y los métodos que de jure critica: quien no esté conmigo está contra mí y cualquier recurso es válido para anularte. Mi esposo fue interrogado por el único y terrible delito de serlo: hace casi 27 años está durmiendo con el enemigo.

Hago público el hecho para denunciar la cobardía de una dictadura que no vacila en ejercer su poder absoluto contra los ciudadanos librepensadores y contra sus familias, un gobierno que se oculta hipócritamente para amenazar, que miente para condenar, que aplica represalias y que ha demostrado a lo largo de medio siglo los excesos a los que es capaz de llegar. Declaro también públicamente que no voy a callar mis verdades y defenderé hasta las últimas consecuencias mi derecho a decirlas, que no concurro en ilegalidad alguna y actúo en apego a la Constitución vigente, y que soy una persona libre y continuaré siéndolo a despecho de cualquier acción que decidan aplicar en lo sucesivo. Desde hoy hago responsable a la dictadura cubana y a sus cuerpos represivos de cualquier daño o perjuicio que en lo adelante pueda sufrir yo o cualquier miembro de mi familia.

***

É esse regime que segue sendo o modelo do PT, do PCdoB e de outras siglas socialistas para o Brasil. Até quando vamos tolerar que essa gente não seja chamada pelo nome e cobrada pelo que de fato é?

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A volta da Grande Rússia

A matéria que segue - excelente - dá os dados suficientes para se construir uma idéia muito exata do que é a Rússia de Vladmir Putin. Quero falar mais disso depois, u massunto que me interessa muito. Tenho até uma "interpretação conspiratória" para a crise americana que envolve a Rússia, a Alemanha e a criação da Eurásia. É, minha trama é uma delícia...

Segue a matéria, publicada ontem no Globo digital, com alguns grifos meus:

Rússia reabilita Nicolau II
Suprema Corte considera fuzilamento do último czar ilegal

Do New York Times, em O Globo 02.10.08
Nove décadas após sua execução, o último czar da Rússia e sua família foram reabilitados, ontem. A Suprema Corte russa declarou a reabilitação total de Nicolau II e reconheceu os Romanov como vítimas de “repressão sem justificativa”.

A decisão é o capítulo mais recente da revisão da História pela Rússia pós-soviética.

A monarquia, castigada com brutalidade na época comunista, agora é lembrada com nostalgia e recriminações às sete décadas de regime soviético.

Culpado por guerras, fome e colapso social Na antiga Rússia comunista, Nicolau II foi retratado como facínora, culpado por guerras, fome e colapso social. Mas na Rússia nacionalista surgida após a queda do comunismo, Nicolau II é tido como visionário e inspiração da fé ortodoxa russa. A Igreja Ortodoxa Russa, que canonizou os Romanov como mártires em 2000, recebeu a notícia da reabilitação com entusiasmo.

— É um passo importante para limpar a história da terrível mancha do assassinato do czar e sua família. A imagem da família real mudou — disse o portavoz da igreja, Vsevolod Chaplin.

Na decisão de ontem, a Corte reverteu um veredicto dado em novembro, segundo o qual os Romanov não poderiam ser reabilitados porque sua execução foi considerada um ato criminoso e não de repressão política. O novo veredicto reabilita todos os membros da família real.

— Essa é a decisão final — afirmou o porta-voz da Suprema Corte, Pavel Odintsov.

Em julho de 1918, sob ordens de Lenin, o czar, sua mulher Alexandra, as filhas Olga, Tatiana, Maria, Anastácia e o herdeiro do trono Alexei, de apenas 13 anos, foram executados a tiros no porão de uma casa em Yekaterinburgo, na região dos Urais.

Os corpos dos Romanov foram mergulhados em ácido para tentar impedir sua identificação e enterrados secretamente. Os restos mortais de Nicolau, Alexandre e três de seus cinco filhos foram descobertos em 1991, quando a URSS chegava ao fim. Em 1998 foram enterrados em São Petersburgo. Os corpos dos outros dois filhos continuaram desaparecidos até agosto de 2007, quando um arqueólogo de Yekaterinburgo descobriu fragmentos de ossos perto do local onde os outros Romanov tinham sido enterrados. No início de 2008, autoridades russas anunciaram que testes de DNA haviam provado se tratar de Alexei e Maria.

— A decisão mostra a supremacia da lei contra a tirania — disse German Lukyanov, advogado da grã-duquesa Maria Vladimirovna, descendente da família Romanov e que entrara com um pedido de reabilitação de seus parentes há três anos.

Lukyanov disse que entrará com pedidos de reabilitação para vários outros membros da família Romanov mortos pelo regime comunista.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Fetiches cubanos

Coitadinha, a moça da materia sobre a blogueira cubana deve ser muito novinha... veja o post

Escreve coisas tolinhas, típicas de quem acabou de sair do DCE, mas ainda não aprendeu a checar as informações - sempre. Exemplos:

"Viver em Cuba não é fácil. Por isso mesmo, não deixa de ser admirável que o país mantenha sinais de vitalidade mesmo após a crise dos anos 90 e de quase cinco décadas de embargo econômico. A taxa de mortalidade infantil é de 6 para cada mil nascidos vivos (contra 26 na América Latina), a esperança de vida é de 77,2 anos (72,2 no resto da região) e 99,8% da população adulta é alfabetizada. Os sistemas de saúde e de educação trazem seqüelas do período de depressão econômica, mas ainda funcionam e são gratuitos para toda a população."

Não peço a repórter que deixe de crer nesses números, mas que revele sua origem. Se me der algum dado que os conteste, melhor ainda.

Da mesma forma:

"Yoani reflete o ceticismo de muitos cubanos com idade entre 20 e 40 anos, um grupo batizado por ela de Generación Y (leia a próxima página), uma alusão aos nomes de sonoridade soviética que, como o dela, são iniciados pela letra Y. São pessoas que não viveram as mazelas de uma Cuba pré-revolução, quando a ilha era explorada por mafiosos e por uma perdulária elite estrangeira."

Terá ocorrido à repórter ao menos consultar os relatórios da ONU e de outras entidades internacionais sobre as condições de vida em Cuba antes de Fidel?

Não lhe terá ocorrido que a o trecho "as mazelas de uma Cuba pré-revolução, quando a ilha era explorada por mafiosos e por uma perdulária elite estrangeira." é de um mau gosto melodramático tão grande que até a elite é estrangeira?

Pergunto eu - ou perguntaria Yoani: e a repórter Estela Caparelli por acaso viveu essas mazelas? De onde as conhece?

Ainda assim, o texto da Estela Caparelli é bom. Ela teria conseguido driblar sua falta de independência inteletual se a cumprisse o dever básico do repórter de dar a fonte de seus dados e apurar o quanto eles são ou não contestados.

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O Imperador de Castrolândia



Essa aí é Yoani Sanchéz a blogueira que inferniza a vida de Castrolândia. A matéria de Época (clique para ler) exibe com delicada clareza o que Fidel e Cuba se tornaram.

Se existisse o troféu Simão Bacamarte ele deveria ser dado a Fidel Castro.

O mais justo seria que depois de formalmente morto ele fosse formolmente ressucitado e exposto junto com a múmia de Lênin em Moscou mesmo. Por um lado Cuba e o próprio Fidel são o exemplo material e histórico de onde a "tirania do bem" pode nos conduzir. Porque simplesmente não existe "tirania do bem".

Fidel e Cuba são de fato uma patologia, no sentido exemplar do termo.

A resposta - ou melhor "a explicação" - que Fidel dá à existência de Yoani ilustra o que eu quero dizer:
"Em um (longo) prefácio para o livro Fidel, Bolivia y Algo más… Una Visita Histórica al Corazón de América Latina, ele critica Yoani, a quem se refere como “jovem cubana”. No final do texto, publicado pelo jornal Granma, o ex-presidente reproduz sete declarações da blogueira e diz que lamenta que jovens cubanos como ela sejam “enviados especiais para fazer trabalhos secretos e de imprensa neocolonial da antiga metrópole espanhola que os premia”. É uma clara alusão ao Prêmio Ortega y Gasset, oferecido a Yoani em maio pelo jornal espanhol El País e classificado por Fidel como “um dos tantos que o imperialismo oferece para mover as águas de seu moinho”. O governo cubano impediu a blogueira de viajar para Madri e participar do evento promovido pelos espanhóis."
Eu não tenho a menor dúvida de que Fidel crê no que escreve. E também não creio que ele esteja hoje, aos 82 anos e mais morto que vivo, mais louco do que já tenha sido. Quero dizer: ele continua o mesmo lúcido assassino de sempre.

Ele vê o mundo obstinadamente pelos filtros do leninismo - que é uma doença do olhar que não produz a honesta cegueira mas uma deformação que passa por verdade que só o portador vê. É coom se os daltônicos se achassem portadores de uma leitura privilegiada do mundo apenas porque ela é rara ou "inadequada pela maioria".

E isso é um fato: toda doutrina revolucionária é necessariamente antidemocrática e golpista. Toda revolução, por definição, é conduzida por uma minoria. Essa essencialmente foi a percepção de Lênin - coerente amplificação do pensamento de Marx.

A crueldade justificada - essa é a tentação diabólica que arruína todas as utopias. A tentação da crueldade é grande. Um ímpeto quase natural ,"privação momentânea da razão", etc. Dê a ela uma justificativa, um apoio que seja onde ela possa tomar impulso ou se plantar e pronto...

Disse "quase natural" porque a crueldade não é comum na natureza. Eu arriscaria dizer que a crueldade é mesmo rara na natureza. Porque a crueldade é de fato um superfluo, um luxo, uma estetização da violência. A crueldade é o horror, é onde o poder exibe toda a sua arrogância e impunidade, todo seu arbítrio e capricho. A crueldade é, com se vê, sob o ponto de vista da economia natural da vida um desperdício. E por isso, imperdoável.

Se o nome é mesmo um destino, o Imperador de Castrolândia faz juz ao seu: mantém-se fiel ao designo de castrar em nome da Utopia.

Ah, sim! O endereço de Yoani Sanchéz! clique para visitar

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O mito da ditadura benigna

Demétrio Magnoli para o caderno especial de O Globo sobre a renúncia de Fidel

“Acho que a grande tragédia da Revolução Cubana foi que ela se tornou dependente da URSS (...). Isso afetou a cultura e a política cubanas e converteu sua imprensa na mais tediosa e previsível em toda a América Latina. Escritores foram perseguidos. Eu nunca defendi nada disso.” O escritor paquistanês Tariq Ali, uma estrela da “nova esquerda”, não está entre os que aplaudem fuzilamentos sumários, censura ou repressão política.

Mas ele reproduz, como tanta gente, o mito nuclear da propaganda castrista: “Penso que a Revolução Cubana realizou proezas incrivelmente importantes (...). É o país mais educado no continente, prova vel men te em todo o terceiro mundo. Numa população de 12 milhões , Cuba produz entre 800 mil e um milhão de gradua dos a cada ano. É capital humano, na forma de médicos que ajudam a África e a América Latina.” Tariq Ali sintetiza os dois termos da equação que seduz até mesmo alguns espíritos avessos ao totalitarismo. A ditadura cubana é deplorável, no plano político, mas socialmente benigna. Não é melhor isso que uma democracia maligna?

Nenhuma pessoa informada escapou da máquina de propaganda que seleciona e difunde as estatísticas preferidas pelo regime cubano. A regra de ouro da manipulação estatística é segmentar eficazmente uma curva. Quase ninguém conhece os indicadores sociais da Cuba pré-revolucionária. Mas eles indicam — surpresa! — que Cuba ostentava excelentes índices de saúde e educação antes que Fidel pudesse salvar seu povo da inanição, da doença e do analfabetismo.

Dois anos antes de Fidel tomar o poder, a taxa de mortalidade infantil cubana era não só a mais baixa da América Latina como a 13amenor do globo. Em 2000, continuava a ser a menor da América Latina, seguida de perto por Chile, Costa Rica e Porto Rico, mas já não estava entre as 25 menores do globo. A informação deve ainda ser contextualizada: Cuba permite aborto legal e exibe uma das maiores relações aborto/gravidez do mundo, em torno de 60%, o que contribui decisivamente para reduzir a mortalidade infantil.

Toda a população cubana, atualmente, está alfabetizada. Mas essa conquista não evidencia poderes milagrosos do castrismo. Quase uma década antes de Castro tomar o poder, Cuba estava entre as nações com maior taxa de alfabetização da América Latina e a velocidade de seu avanço não é espantosa quando comparada a de países como Colômbia, Equador e mesmo Brasil. A Cuba de 1957 tinha 128 médicos e dentistas por cada grupo de 100 mil habitantes, o que a colocava no mesmo patamar da Holanda e à frente da GrãBretanha. Porém eles não desempenhavam missões de política externa na América Latina ou na África, como acontece hoje...

A ditadura de Fulgêncio Batista, derrubada por Castro, também não era benigna. Os invejáveis indicadores sociais do país refletiam uma trajetória iniciada nos tempos coloniais, quando Cuba havia sido um dos mais dinâmicos centros hispanoamericanos, atraindo colonos prósperos e constituindo uma elite numerosa. Os revolucionários cubanos, de José Martí a Fidel, emergiram de um meio intelectual ativo e cosmopolita, o que não é fortuito.

Sob Fidel, a economia cubana foi subordinada aos imperativos estratégicos do regime político. Os investimentos concentraram-se nas Forças Armadas, fundamento do poder interno e das aventuras externas na arena africana, e nos setores vitais para a edificação da imagem internacional do castrismo, notadamente o esporte, a saúde e a educação. Até 1990, a redoma dourada dos maciços subsídios soviéticos disfarçou o empobrecimento da ilha e evitou a dilapidação do legado histórico nas esferas da saúde e da educação.

A Cuba castrista tornou-se certamente mais igualitária, devido à transferência da elite e da classe média para os EUA, onde vivem cerca de 1,5 milhão de cubanoamericanos, o que representa 13% da população da ilha. Mas, sobretudo, o castrismo devastou o capital social acumulado pelo país, arruinando suas infra-estruturas e provocando regressão sem precedentes na produtividade do trabalho.

O regime gerou uma “economia de ruínas”, que se manifesta na paisagem extensivamente degradada das residências, na obsessiva e criativa recuperação de veículos produzidos há meio século, na permanente conversão de profissionais qualificados em motoristas clandestinos de táxi, guias de turismo e prostitutas.

A marca distintiva do sistema castrista foi sintetizada na gíria cubana pela expressão “sociolismo”, fusão de “socialismo” com “amiguismo”. Em Cuba, a economia real é a economia subterrânea, que se articula em redes de ajuda mútua voltadas para o desvio de mercadorias, rumo à troca direta no mercado negro. O “sociolismo” abrange a maior parte da população e ramifica-se na administração pública e nas empresas estatais. Sob o império pervasivo da carência, a corrupção torna-se necessidade, adquire o estatuto de norma e engolfa a nação num universo de regras viradas ao avesso. Eis a herança duradoura que Castro deixa a seus compatriotas.

DEMÉTRIO MAGNOLI, sociólogo e doutor em geografia humana pela USP, é colunista do GLOBO

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Às viúvas antecipadas de Fidel

Recebi o seguinte comentário anônimo sobre o post "Fidel subiu no telhado...": "Seu texto é de uma mediocridade ímpar. Desista de escrever e vá trabalhar de mascate." Deletei, claro. Mas divulgo aqui porque é um resumo do pensamento do idiota militante. O apelo ao anonimato é próprio dos covardes que agem em bando pelas sombras. O autoritarismo é o mesmo que aparece nos textos dos comissários do gosto que se fazem passar por críticos. E o texto fala por si mesmo.

Chega a ser engraçada a expressão "mediocridade ímpar". Além de ambígua, revela experiência no trato com o medíocre. Parece então que a autoritária viúva antecipada de Fidel me considera um medíocre nota dez. Será que isso significa "quase bom"? Não sei, nem quero saber.

Quero as vetustas comissárias do gosto longe daqui. Sempre que aparecerem serão devidamente deletadas. Como chegaram aqui? É fácil perceber. Através dos meus comentários no Reinaldo Azevedo. Onde mais a anônima viúva teria aprendido o termo "mascate"? Mas tanto lá como aqui não terão espaço. Com o tempo, acabarão confinadas à Cuba mental que de fato habitam.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Fidel subiu no telhado...

Eu avisei que seria cômico... Lula já correu para dizer que trata-se do "único mito vivo da humanidade". E quando ele diz "vivo" não está obviamente pretendendo ser irônico, o que só torna a frase ainda mais engraçada. Um mito? Certamente. Mas que a cada ano se revela mais e mais nefasto, por conta do volume crescente de informações sobre a ditadura que comandou.

Também é cômico - e nefasto - ouvir o tal frei Beto tratado pelo UOL como teólogo profetizando sobre a continuidade do socialismo na ilha-cárcere. "Não há nenhum setor significativo dentro da sociedade cubana hoje interessado na volta do capitalismo". É, talvez de fato não tenha mesmo restado nenhum "setor significativo" na sociedade cubana depois de 49 anos de ditadura.

Mas a pérola do frei vem a seguir. Reparem na contradição: Fidel teria renunciado "
para deixar o campo mais livre para uma possível e provável eleição do seu irmão Raúl Castro, que vai substituí-lo nas funções de presidente do Conselho de Estado, presidente do Conselho de Ministros e comandante-chefe da Revolução". A vocação democrática do frei é inegável, não? Desde que, é claro, o resultado das eleições seja acertado antes.

Eu avisei que seria cômico. Aguardo ansioso um editorial da LulaNews assinado pelo recém-saído da clandestinidade Franklin Martins.

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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Franklin Martins e o enterro de Fidel

Li agora no Reinaldo Azevedo:
Franklin, o modesto
Esta é muito divertida: o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) disse que vai devolver aos cofres públicos R$ 163,22 que recebeu irregularmente em 2007. É dinheiro relativo a “meia-diárias militares" por acompanhar o presidente Lula em viagens no Brasil. Ministros só têm direito a diárias em viagens internacionais. Bobagem do companheiro. Eu prefiro que ele não gaste, o que corresponde a devolver, inutilmente os R$ 350 milhões previstos no Orçamento da TV Lula — na prática, já se sabe, será muito mais.
É, o Franklin Martins, depois que saiu da clandestinidade e foi pro governo está se saindo um companheiro exemplar. Aguardo ansioso a cobertura do enterro do Fidel pela LulaNews. Será certamente de morrer de rir.

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