A história se repete
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"Acho que você tocou NO ponto. E as perguntas que ficam são: como é que uma economia que pretende ser de livre mercado pode conviver com esta obsessão pelo controle? Será que o Partido Comunista chinês está disposto a abrir mão de seu poder (exercido por meio deste excesso de controle) em benefício da livre iniciativa?A questão tem um acento moral - pois, no fundo, a pergunta é se é justo que uma ditadura floresça. Ou ainda: será a liberdade de fato essencial para o desenvolvimento? Nós acreditamos que sim.
Será que um país que não respeita os direitos mais fundamentais do homem tais como o direito de propriedade (material e intelectual) , o pátrio poder, o direito de expressar e de professar seus sistemas de crença (políticos e religiosos), o direito de lutar por seus interesses juntando forças com pessoas que partilham dos mesmos problemas em sindicatos ou outros tipos de associações pode construir uma sociedade justa? Enfim, será que uma sociedade sem instituições de boa qualidade pode se desenvolver?"
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Acho o esporte uma das manifestações mais bem acabadas da solidão humana. Ou melhor: do confronto da solidão (do atleta) com o histérico egoísmo coletivo (do público). A solidão do atleta sempre me encantou. Sobretudo desses atletas olímpicos de esportes individuais e pouco populares. O público não tem sequer a mais relés noção do esforço deles. O público só quer VER performances e contar medalhas.
Então é, no fundo, uma chatice monumental - literalmente. Porque ninguém entende nada - ou quase nada - do que está vendo. Ninguém é capaz de compreender o grau de dificuldade e as sutilezas do performance. Não é como o futebol, por exemplo, que todo mundo joga ou já jogou e sabe portanto apreciar.
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Na abertura, o governo chinês desfilou seu samba-enredo: "China apaga o comunismo e reconta sua História". Impressionante. Queria saber a opinião da Rosa... Não a de Luxemburgo, mas a Magalhães - de outras revoluções na avenida, essas inesquecíveis - sem abrir mão do luxo de ser efêmeras...
Mas, eu dizia, impressionante esse desprezo ao comunismo. Ao contrário da Rússia de Putin, a China não quer saber de seu passado comunista. Sem cerimônia, deletaram o que chamam de "Era da Vergonha" que se estende do final do Império dominado pelo colonialismo ocidental até os últimos dias da revolução comunista. Sai Mao e entra Taiwan, aplaudidíssima. Só isso vale por tratados. Eles querem controlar também o tempo. E a História.
A China simplesmente se reapropriou diante do mundo da própria História, ocidentalizando-a. Ela hoje se conta como nós no Ocidente a aprendemos na escola: a pólvora, o papel, a bússola. Por outro lado, se apresentou - de forma sutil, mas muito clara - como o contraponto oriental da Grécia. Ou o contraponto espartano de Atenas? Só o tempo dirá.
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(Controle e previsibilidade. Feng Shuei e I Ching. O Chão e o Céu.)
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A tentação de atribuir essa obsessão pelo controle ao comunismo é grande, mas, me parece que verdadeiro é o inverso: o comunismo na China é apenas a manifestação contingente e histórica de uma necessidade do “Império do Centro”: a centralização e o controle. São 56 etnias apertadas em um espaço não muito maior do que o Brasil. É muita gente, muito espaço. Por isso acho que dá para dizer que a China é, há quase três mil anos, um mercado comum mais ou menos fechado segundo as contingências de sua produção.
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Há o lado B desse samba: a juventude, a dita “geração de filhos únicos” resultante do controle (de novo a palavra!) da natalidade - desenvolveu um entusiasmo nacionalista olhado no mínimo com ceticismo por qualquer ser humano que conheça dois dedos da história do nazismo. Ao menos um amigo insistiu na a analogia com as Olimpíadas de Berlim, 1936. Olhando a abertura, faz sentido.
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Uma conseqüência do controle da natalidade: calcula-se haver algo em torno de 400 milhões de chineses “não-contabilizados”. Qual o efeito disso na economia?
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