sábado, 30 de maio de 2009

Sobre o que é pensar

"(...) Essas observações bastam para mostrar que as idéias e crenças surgidas nas discussões públicas e privadas raramente se formam da experiência, pelo menos da experiência pessoal direta. Elas vêm de esquemas verbais prontos, recebidos do ambiente cultural, e formam, em cima da experiência pessoal, um condensado de frases feitas bastante desligado da vida. Se vocês lerem com atenção os diálogos socráticos, verão que a principal ocupação do fundador da tradição filosófica ocidental era dissolver esses compactados verbais, forçando seus interlocutores a raciocinar desde a experiência real, isto é, a falar daquilo que conheciam em vez de repetir o que tinham ouvido dizer. O problema é que, se você repete uma ou duas vezes aquilo que ouviu dizer, não apenas você passa a considerá-lo seu, mas se identifica e se apega àquele fetiche verbal como se fosse um tesouro, uma tábua de salvação ou o símbolo sacrossanto de uma verdade divina.

Para piorar as coisas, as frases feitas vêm muito bem feitas, em linguagem culta e prestigiosa, ao passo que a experiência pessoal, pelas dificuldades acima apontadas, mal consegue se expressar num tatibitate grosseiro e pueril. Há nisso um motivo dos mais sérios para que as pessoas prefiram antes falar elegantemente do que ignoram do que expor-se ao vexame de dizer com palavras ingênuas aquilo que sabem. Um dos resultados dessa hipocrisia quase obrigatória é que, de tanto alimentar-se de símbolos verbais sem substância de vida, a inteligência acaba por descrer de si mesma em segredo ou mesmo por proclamar abertamente a impossibilidade de conhecer a verdade. Como essa impossibilidade, por sua vez, é também um símbolo prestigioso nos dias que correm, ela serve de último e invencível pretexto para a fuga à única atividade mental frutífera, que é a busca da verdade na experiência real."
Olavo de Carvalho, Ainda os filósofos.
para ler o texto completo clique aqui
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nenhum homem é uma ilha

Esse cruzamento de literatura e cinema me delicia e inspira. O curta custou 40 dólares e venceu o Tropfest de 2008, em NY, segundo o e-mail que recebi.

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domingo, 24 de maio de 2009

A consciência e a vida

O corpo há de aprender sua lição e esquecer a história que carrega. Então seremos livres e nenhuma morte poderá nos alcançar. Inteiros e presentes, nada mais haverá de necessário ou urgente.

É tudo que eu sei dizer - a mim e a você - quando a vida parece revelar sua verdadeira face, violenta e sem sentido, e se reduzir a um jogo sem regras e, portanto, sem vencedores, onde um dia, todos serão nada. "Não, a vida não é isso", é tudo que sei dizer e me esforço para acreditar: o que vemos não é violência, mas exuberância; não é falta de sentido, mas a exibição da mais absoluta liberdade.

Sim, é aterrador - quando se volta contra nós. Aterrador, cruel, injusto. Há dias, quase me afoguei. De um momento para o outro, o que era o distraído deleite de estar no mar, entre ondas de efervescente brancura, tornou-se o horror de uma força invisível me arrastando para fora, enquanto toneladas de água me empurravam para o fundo. Meus pés já mal tocavam a areia e quase não havia tempo de respirar entre um e outro mergulho. Seria a morte se, num esforço lúcido, eu não vencesse o terror que quase me paralisava. Tomei impulso numa onda menor, finquei o corpo no chão e agarrei a mão amiga que se estendeu em meu socorro. Estava salvo. O mar, o meu mar, indiferente, quase me tragara; e agora voltava a me afagar - mas esse prazer está em mim e não no mar, que nem sabe quem sou. O mar, insana fúria: vida. Deslumbrante, aterrador: indiferente. E nessa fábula resumo o que por agora sei dizer.

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sábado, 23 de maio de 2009

Anti-telemarketing

Eu rolei de rir com esse videozinho de um cara que depois vou descobrir quem é, Tom Mabe. Deve ser famoso, porque é hilário. que ele faz com o sujeito do telemarketing é oque qualquer um de nós gostaria de um dia ter feito. Bom, quem sabe...? A idéia é ótima!

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Dois links interessantes, dois amigos novos

O Flavio Monteiro faz uns atabaques lindíssimos, em PVC especial, forrados em padrões diversos, florais, temáticos, ao gosto do freguês.

O som, claro, deve ser ótimo porque o cara também é músico percussionista.

Quem quiser fazer contato para mais detalhes, é só dar um pulo no blog dele.

* * *
O Flavio eu conheci em carne e osso, já o Hugo Moss conheci aqui meso na Rede. Já tinha feito o curso de roteiro dele - para mim, o modelo mais bem acabado de um curso online simples, eficente e barato.

Para quem quer conhecer os elementos essenciais de um roteiro, sem se ater em muito papo furado, é perfeito. Mas vale também para quem pretenda montar seu próprio curso online.

Semana passada, recebi um e-mail dele divulgando um curso presencial que ele está dando que parece bem interessante. Trocamos uns e-mails e descobri que ele tem um blog simpaticíssimo onde ele fala de cinema, da vida e dos cursos, inclusive desse novo.

Grandes figuras, tanto o Hugo quanto o Flavio: afáveis, comunicativos, aquele tipo que parece que a gente já conhece há séculos depois de cinco minutos de papo ou de dois e-mails trocados. Gente assim, claro que só produz coisa bacana.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Facebook é o máximo

Estou apaixonado pelo Facebook. Esqueça o Orkut - aquela chatice inútil. O Facebook é a ferramenta de comunicação completa. Combinado com o Flock - o único navegador comparável ao Opera (que, no entanto, continua imbatível) - e um monitor wildscreen de 17 polegadas, beira a perfeição.
Blogged with the Flock Browser
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domingo, 17 de maio de 2009

Esboço de crônica

O corpo há de aprender sua lição e esquecer a história que carrega. Então seremos livres e nenhuma morte poderá nos alcançar. Inteiros e presentes, nada mais haverá de necessário ou urgente.
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

O fim do impresso e a desmaterialização das coisas

Comentário postado por mim na revista Época, numa matéria sobre o fim dos jornais impresso:

"Quantas páginas vc lê do jornal que compra ou assina? Quantas compras vc fez recentemente influenciado por anúncios de jornal? Por outro lado, quanto tempo até chegarmos a um veículo digital com a portabilidade e o preço do papel? E há outro fator pouco explorado: a, chamemos assim, "inércia etária" ou "inércia das gerações": quem manda de fato ainda pertence ao "tempo do impresso" - e resiste.

Some tudo isso, bata bem, e responda: quant tempo até não haver mais impressos? Dez anos? Quinze?

Imagine um Kindle do tamanho de um livro, mas dobravel e que seja também celular... Ah! E ainda nem começamos a trabalhar com a idéia de "imaterialidade" definitiva: quanto tempo mais até que o jornal seja um "holograma de alta densidade" projetado de um... anel no meu dedo? Demais pra vc?"
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terça-feira, 5 de maio de 2009

Os Desajustados 2




E há as fotos, as fotos do filme feitas por fotógrafos da Magnum Photos, os melhores do mundo, entre eles Cartier-Bresson em pessoa.

Mas minha preferida é Eve Arnold.

Este site dedicado ao filme também é muito bom.

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Os Desajustados

Se hoje alguém me perguntasse qual o melhor filme de todos os tempos, eu diria sem pestanejar: The Misfits - Os Desajustados - de John Huston 

Arthur Miller 

                                    e Marylin Monroe, Clark Gable, Montgomery Clift, Eli Wallach, Thelma Ritter 

e do diretor de fotografia Russell Metty, do produtor Frank Taylor 

                                                                                                            e do montador George Tomasini.

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Águas Frias de Futebol e Regatas

Eu acompanho a vida do Botafogo com o mesmo interesse com que sigo o Balé Folclórico da Ucrânia e até três semanas atrás Vitor Simões para mim poderia ser o primeiro-ministro de Portugal e Leandro Guerreiro um cantor de axé sertanejo. Gosto de futebol, o único esporte coletivo praticado em uma velocidade e postura realmente humanas. A dimensão do campo também favorece a inteligência tática e a habilidade geométrica. Mas tenho horror a torcedores: variam entre a violência mais brutal e a estupidez pura e simples. Não consigo enxergar em suas manifestações tidas como apaixonadas o menor traço de espontaneidade ou alegria. Torcer é tornar-se interinamente burro, quando não é a mais esfuziante expressão da burrice.

Mas um clube perder por três anos seguidos o mesmo título para o mesmo time em condições sempre mais ou menos semelhantes é algo que, com ouço dizer desde antes de nascer, "só acontece com o Botafogo". Conversava com um amigo botafoguense que me expôs o problema em termos mais pragmáticos e animadores: de três títulos disputados este ano o Botafogo ganhou um, a Taça Guanabara. Perdeu a Taça Rio e a final do Campeonato Carioca. O argumento mascara, porém, exatamente o que desespera os botafoguenses da linha mística, a saber, a maioria: "De novo?"

Essa repetição minuciosa é o que nos intriga, assusta e anima. É o que nos faz não propor que o time troque o preto e branco pelo amarelo e azul e o nome para Águas Frias, tomando a espiral como símbolo. Ao menos por sete anos jogaríamos assim, disfarçados e com outro nome. Para driblar o... Não, não vou escrever aquela palavra, não vou, não. Até me dou conta que nunca a escrevi! Sou mesmo botafoguense...

E continuarei sendo... Mas é muito chato ter de se imaginar sócio minoritário da alegria dos flamenguistas, gente que até pelo menos metade da minha vida eu tratei como fregueses (Lembro até hoje da abertura do texto de Antonio Maria Filho sobre o jogo em que o Flamengo deixou de ser nosso freguês: "Botafogo perde o último patrimônio").

Agora somos nós os fregueses - ou melhor, sócios minoritários. Porque, como eu disse, tome a escalação dos dois times e veja se não parece reunião de diretoria: Fábio Luciano, Ronaldo Angelim, Léo Moura, Erick Flores, Leandro Guerreiro, Léo Silva, Túlio Souza, Victor Simões.

Parece brincadeira, não? Eu sou do tempo que jogador não tinha nome, tinha apelido. Claro, havia exceções magníficas: Nilton Santos. Djalma Santos. Ou seja, só aos santos era permitido ter nome composto. Agora é essa farra. A gente lê a escalação e até parece que o futebol passou a ser jogado com 15 ou 20 jogadores em campo.

Ao mesmo tempo, não há mais time. A cada ano, novos nomes compostos aparecem. Não duvido que breve até o nome das posições mude. Não vai ser mais "meio-campo", mas Gerente de Distribuição. Lateral esquerdo será chamado de Diretor-Executivo do Setor Norte. A escalação será qualquer coisa assim: Diretor de Planejamento: Fábio Souza. Gerente Executivo: Carlos Moura - e por aí vai.

Enfim, à espera de dias melhores, sigo discretamente Botafogo.

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domingo, 3 de maio de 2009

Nossa história, nossa gente

"O Congresso contra-ataca, em nome da treva

Quando o governo ou o Congresso não sabem o que dizer, anunciam um projeto de reforma política (ou tributária). Sem ter como explicar as malfeitorias que empestearam o Legislativo, alguns hierarcas da Câmara e do Senado querem tirar do sarcófago a múmia de um projeto de reforma política. Com o apoio silencioso das cúpulas de todos os grandes partidos, são dois os defensores ostensivos da iniciativa: o deputado Ibsen Pinheiro, na Câmara, e o doutor Marco Maciel, no Senado.
Se um inimigo do Parlamento quisesse aprofundar a desmoralização do atual Congresso, não inventaria coisa melhor.

O primeiro pilar da reforma é o voto de lista.
Coisa simples, os contribuintes deixariam de votar em candidatos à Câmara. Teriam direito a escolher uma sigla, e só. Os eleitos sairiam de uma lista preparada, antes da eleição, sob forte influência das máquinas partidárias. A confiança que merecem os atuais partidos pode ser facilmente aferida. Nenhum deles condenou nominalmente qualquer dos seus deputados que avançou sobre as passagens da Viúva. (O presidente do DEM, bem como o atual presidente do PT e seu antecessor somaram seis viagens com as mulheres para o exterior.) Nenhum partido subscreveu qualquer iniciativa para que sejam abertas as contas das verbas indenizatórias.

O segundo pilar da reforma seria a instituição do financiamento público de campanha. Na teoria, esse sistema acaba com as doações privadas. Numa conta que andou por aí, a Viúva pagaria algo em torno de R$ 7 por eleitor, e esse dinheiro seria rateado entre os partidos (de novo a mesma turma).

Hoje o candidato e seus aliados gastam o dinheiro deles. Com a mudança, gastarão o dos outros. Mais: dada a versatilidade dos doutores, aparecerá o magano que se candidata a qualquer coisa para embolsar um caraminguá, mesmo sabendo que não se elege.

Hoje a patuleia vota no candidato de sua escolha e não paga nada por isso.
Com o golpe dos doutores, o contribuinte pagará para votar, perdendo o direito de exercer sua preferência nominal.

A melhor maneira para se começar esse debate seria a exposição pública das opiniões de José Serra, Aécio Neves e Dilma Rousseff a respeito do assunto.

Afinal, só um irresponsável (ou um sonso) seria candidato à Presidência sem ter a capacidade de opinar a respeito de uma reforma desse tamanho."

Elio Gaspari, O Globo, 03.05.09

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sábado, 2 de maio de 2009

O Observatório do Observatório

"O Brasil teve, ao longo de vinte anos, aproximadamente dois mil prisioneiros políticos, nenhum deles totalmente isento de ligações diretas ou indiretas com a guerrilha e com a ditadura cubana. Cuba, com uma população doze vezes menor, chegou a ter cem mil ao mesmo tempo – a quase totalidade sem processo legal, e levada ao cárcere por crimes hediondos como fazer uma piada, recusar-se a usar um crachá patriótico ou, nos casos mais graves, possuir uma casa. Se não há nenhuma diferença entre uma coisa e outra, também não há diferença entre matar seis milhões de judeus e dar um discreto pontapé no traseiro do sr. Alberto Dines..."

* * * 

"Ora, as Brigadas Internacionais foram à Espanha obedecendo a uma convocação de Stálin, e, se delas participou a inevitável quota de idiotas úteis que não sabiam estar servindo à ditadura soviética – os depoimentos de John dos Passos e de George Orwell a respeito são bastante significativos –, o fato é que as Brigadas foram sempre um instrumento a serviço do comunismo, e não da liberdade. Chamar comunistas de “libertários” é mais do que mera impropriedade vocabular, é trapaça pura e simples, de vez que o segundo termo designa um movimento político existente, notoriamente hostil ao comunismo e atuante na política até hoje, inclusive no Brasil."

Olavo de Carvalho, Umas ditaduras são mais iguais que as outras

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Observações de um conservador americano

Jorge Luis Borges gostava de repetir que ser conservador é uma forma de ceticismo.  Borges tem esse dom de revestir qualquer frase de um véu de ambiguidade e ironia que deixa o leitor sempre entregue a si mesmo, sem saber se a máxima borgiana é verdadeira ou falsa, se repeti-la lhe dará um atestado de erudição ou estupidez.

Ler Jeffrey Nyquist mostra o quanto o ceticismo é necessariamente conservador. A descrença no presente e, por consequência, no futuro se dá por contraste a um passado glorioso ou ao menos "consistente", em que as pessoas se orientavam por princípios claros, aceitando estoicamente o ônus que daí decorra. A marca da decadência talvez seja exatamente a incapacidade de aceitar consequências dolorosas de escolhas e os sacrifícios e responsabilidades que o poder, seja ele qual for, acarreta. Se toda perda transforma o sujeito em uma vítima que exige amparo e todo poder num hedonista irresponsável a civilização corre o risco de afundar em tirania. 

"I am amazed by those who think the U.S. economy is going to recover, that global peace is attainable, that American liberties are going to survive American barbarism. Look at our culture today: men are no longer men, and women are no longer women; capitalists no longer uphold free market principles; constitutional government no longer adheres to the Constitution; enemies are treated as friends. Nobody reads the signs. Nobody sees what is coming. Look at the birthrate among Europeans. Look at the abandonment of European culture. Look at the Muslim birthrate. Europe will be Islamic in fifty years. Long before that, the Russians and Chinese will achieve nuclear dominance of the globe. What do you think the investment climate will be in 2059?"

J. R. Nyquist, The Investment Climate in 2059

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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Double blind

"Double-blind describes an especially stringent way of conducting an experiment, usually on human subjects, in an attempt to eliminate subjective bias on the part of both experimental subjects and the experimenters. In most cases, double-blind experiments are held to achieve a higher standard of scientific rigour.

In a double-blind experiment, neither the individuals nor the researchers know who belongs to the control group and the experimental group. Only after all the data have been recorded (and in some cases, analyzed) do the researchers learn which individuals are which. Performing an experiment in double-blind fashion is a way to lessen the influence of the prejudices and unintentional physical cues on the results (the placebo effect, observer bias, and experimenter's bias). Random assignment of the subject to the experimental or control group is a critical part of double-blind research design. The key that identifies the subjects and which group they belonged to is kept by a third party and not given to the researchers until the study is over.

Double-blind methods can be applied to any experimental situation where there is the possibility that the results will be affected by conscious or unconscious bias on the part of the experimenter.

Computer-controlled experiments are sometimes also referred to as double-blind experiments, since software should not cause any bias. In analogy to the above, the part of the software that provides interaction with the human is the blinded researcher, while the part of the software that defines the key is the third party. An example is the ABX test, where the human subject has to identify an unknown stimulus X as being either A or B."

(Wikipédia, blind experiments)
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