sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Os stalinistas estão chegando

Num arranjo de segundo turno, a ex-candidata a prefeitura do Rio, Jandira Feghali, do PCdoB, acabou premiada pelo prefeito eleito Eduardo Paes com a Secretaria de Cultura. Não era difícil prever o destino da cultura do Rio nas mãos dos comunistas mais retrógados, gente que ainda saúda Stalin como o Guia Genial dos Povos e comemora os aniversários dos ditadores da Coréia do Norte, Ping Pong Jr. ou algo assim, e de Cuba, o Coma Andante Fidel Castro. Se duvidam, basta visitar o site do partido. É das experiências intelectuais mais patéticas a que um ser humano pode se dedicar. Ainda assim, vale a pena.

A crítica de teatro Barbara Heliodora pôs a boca no mundo, em um artigo publicado em O Globo impresso e na versão digital, mas solenmente ignorado pelo bolivariano O Globo Online, editado por crianças recém-saídas dos madrassais esquerdistas que distribuem diplomas de Jornalismo.

Segue então o texto de Heliodora. Espero que ele seja reproduzido em outros blogs e espalhado por aí, via e-mail.

O ideal seria que se criasse uma petição a ser enviada ao prefeito, exigindo a 'autocrítica' da secretária ou sua demissão.

***

Uma nova censura

Barbara Heliodora, O Globo, em 26.02.09

A triste repercussão dos primeiros atos da secretária da Cultura na área do teatro — demissões dos diretores de todos os teatros da prefeitura, sem qualquer preocupação com o bom ou mau desempenho dos mesmos, também conhecidas como “a saga dos feudos” — acabou por deixar menos notado um aspecto muito mais grave da nova política que passa a orientar (ou, melhor dizendo, a controlar, ou sufocar) a vida teatral do Rio.

Com a mais que surrada justificativa de tornar o teatro carioca mais “democrático” e “popular”, a secretária passa a adotar, neste Brasil razoavelmente democrático, as políticas culturais da falecida URSS ou da época da Revolução Cultural chinesa, que têm por base o controle ideológico da toda atividade artística e cultural. Ninguém pode esquecer a censura de proibição que o Brasil sofreu na segunda metade do século XX, destrutiva e revoltante, cuja estupidez, contudo, por vezes servia de desafio para a criatividade de autores mais ousados. A nova censura da secretária é mais insidiosa e, por isso mesmo, ainda pior, pois nasce da ingerência direta do Estado no processo criativo, com a falsa desculpa de estar trabalhando para o aprimoramento da arte.

Nesse novo mundo “democrático” e “popular”, os novos diretores dos vários teatros continuarão a fazer suas programações para períodos de três meses (com possibilidade de maior flexibilidade), porém — e o “porém” é crucial — não poderão mais aprovar o repertório, pois todos os textos escolhidos nos editais terão de ser submetidos à nomenklatura para serem (ou não) aprovados do ponto de vista ideológico, merecedores dos rótulos definidores da suposta política cultural.

Essa nova censura é, na verdade, um descalabro: seus únicos resultados “democráticos” e “populares” obtidos até hoje são o realismo socialista soviético — brilhantemente descrito, anos atrás, por um adido cultural francês, como “aquelas peças que terminam quando é dito ‘Vamos, querida, vamos ser felizes com o trator que o Estado nos deu’” —, do qual não ficou nada, ou então as grotescas e memoráveis “óperas” da Sra. Mao, de triste memória, que desapareceram sem deixar rastros senão de vergonha e amargura.

Na linha dessa política para as artes, tivemos a ocasião de ouvir, na China, um belo solo de violão, que levava o fenomenal título de “A entrega da colheita ao Estado”.

A ingerência do Estado na criação artística e em qualquer atividade cultural é fatal: seu único objetivo é alimentar o público com chavões ideológicos e cortar qualquer possibilidade de obras imaginativas e/ou realmente reflexivas.

Parece incrível que, neste início do século XXI, a secretária de Cultura ainda queira insistir em tal retrocesso; é preciso tomar sérias providências para que ela não chegue realmente a implantar essa censura ideológica, antes ditatorial do que democrática ou popular.

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Death list 2009

Há quem julge mórbido. Eu acho apenas tragicômico, um modo humorado de encarar a morte e uma consequência da maneira ambígua como as pessoas comuns lidam com as celebridades. Para os brasileiros, um motivo de orgulho. Disputamos os primeiros lugares da lista com dois nomes fortíssimos: Havelange e Niemeyer. 

Para ver de perto o "Bolão da morte" - e até apostar! - clique aqui.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para pensar o sincretismo religioso brasileiro

"So to answer your question: yes, all esoteric teachings go back to the same source. Human beings are essentially the same, so what has been received by revelation from the higher worlds is often identical in essence, though it may be coloured by a particular culture."

Shimon Halevi, numa entrevista ao Skyscript

***

Sempre que me dizem que os negros no Brasil adotaram o sincretismo para esconder sua religião sob uma aparência católica, respondo que essa hipótese é empobrecedora, pois não leva em conta a força, a inteligência e a riqueza da cultura Iorubá. Prefiro acreditar que os sacerdotes iorubás ao se depararem com uma religião igualmente monoteísta e com uma narrativa ou mitologia muito semelhante à sua, tenham se maravilhado e visto aí uma prova da unidade do Universo. Aos altos sacerdotes de qualquer tradição as contigências históricas são irrelevantes: sua dimensão é a Eternidade. Sua transitória condição de escravos em nada lhes abalava a diginidade, a sabedoria e a compreensão do Mundo.

Por outro lado, não seria de modo algum estranho ou prova de fraqueza se tivessem reconhecido na mensagem crística que lhes era passada pelos sacerdotes dessa outra religião estranhamente semelhante o anúncio de uma nova etapa cósmica que lançava sua própria tradição a um patamar mais elevado. Sem deixar de ser iorubás, teriam se tornado de bom grado crísticos, numa prova de força, inteligência e vitalidade.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O elogio da imprudência

"I am bewildered. But, more than that, I am angry. I can't count how many news accounts I've seen about the poor, struggling homeowners who can't make the monthly mortgage payment, are about to be foreclosed, and risk losing the family home, yard, white picket fence, and piece of the American Dream. But I haven't heard one word about the poor, struggling renters, the ones who scrimped and saved and put money away each month towards a down payment, who kept the credit cards paid off, stayed out of trouble, and lived modestly, and thought that maybe, just maybe, the fall in housing prices meant that they, finally, could afford a house — maybe one of those foreclosed units down the street. These people are Bastiat's unseen. For them, Obama's housing plan is a giant slap in the face. To hell with the prudent. Party on, profligate! Now that's what I call moral hazard."  Peter Klein

Copiado do blog do economista Rodrigo Constantino

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Sofia, 21 anos

Sofia faz 21 anos hoje. Vinte e um anos - e parece que foi ontem tão viva é a memória desses dias de íntima glória, porque nós, nós três, ínfimos e anônimos, chegávamos vitoriosos ao fim de nossa saga - que já contei a você tantas vezes, em crônicas e papos e sonho um dia transformar em romance: "Sofia". Porque quanto mais o tempo passa e a vida vai ganhando contornos de mitologia, mais acredito que trazer você ao mundo sã e salva foi o que juntou a mim e sua mãe.

Vinte e um anos. Mas o que importa é hoje. Sempre. Se alguma coisa aprendi nesse tempo foi isso: o que importa é hoje. Hoje é o farol que ilumina essas duas longas e brumosas noites, o passado e o futuro. O passado - isso também aprendi, mas ainda custo a acreditar - o passado sempre mais plástico do que o futuro - imprevisível sempre, ou não será futuro.

Porque o amor pode tudo, até mudar o passado - secretíssima alquimia que cada um que a tanto se dedicar há de descobrir. Mudar o passado e nos fazer livres para aceitar o futuro como novidade.

Hoje, diante do mar que tanto amo, bem cedo, pensei em você e no que gostaria de escrever para você. Pensei e senti tanta coisa, mas este pequeno poema com cara de hai-cai que me ocorre agora resume um pouco de tudo.

"O mar é o mesmo, 
 mas nunca houve nem haverá 
 duas ondas iguais."
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domingo, 22 de fevereiro de 2009

A verdadeira Cuba, para quem ainda não sabe ou se recusa a ver

Durmiendo con el enemigo

Por Miriam Celaya, do bolg cubano Sin EVAsión, em 17 de fevereiro de 2009 

El pasado martes, 10 de febrero, mi esposo, Oscar González Ulloa, fue interrogado por la policía política. Los testaferros del régimen suelen llamar a tales interrogatorios “entrevistas”, pero mi estilo siempre se ha inclinado a llamar las cosas por su justo nombre, sobre todo si dicho encuentro no contó con la anuencia del supuesto “entrevistado” y estuvo matizado por las habituales amenazas amigables de los compañeritos contrainteligentes de la llamada Dirección 21 del Ministerio del Interior.

El lunes 9, pasadas las 10:30 pm, mi esposo, ingeniero electromecánico vinculado directamente a la navegación mercante por más de veinte años, recibió en casa una llamada telefónica: estaba siendo citado por “Selecmar”, su agencia empleadora cubana, para que se presentara a las 9:00 am de la mañana siguiente en las oficinas del “subdirector de operaciones” para una reunión de trabajo. Aunque la llamada se produjo ya bien entrada la noche –detalle del que ambos recelamos- existía la posibilidad real de que se tratara de una citación laboral toda vez que ya él lleva en tierra casi cuatro meses y debía comenzar el alistamiento para el nuevo enrolo (chequeo médico, etc).

No sabíamos que ya todo estaba preparado para la representación de estos artífices de la mentira y el engaño. El escenario fue la oficina del subdirector de “Selecmar”; los actores, dos oficiales de la Seguridad del Estado (uno “bueno”, conciliador, coloquial, casi amoroso; y otro “malo”, callado, adusto, severo); el guión fue el de siempre: “sabemos en lo que está tu esposa, de la gente con la que se reúne, que tu carro se ha utilizado para transportar contrarrevolucionarios y documentos, no vamos a permitir nada que atente contra la seguridad del Estado…etc”. Una “entrevista” salpicada de amenazas no muy disimuladas, como las referidas a dejarlo desempleado (“¿te gusta mucho tu trabajo, Oscarito?, tú siempre has sido un buen profesional…”); de preguntas aparentemente encaminadas a elevar su ego machista (“Tú eres el cabeza de familia, esto no es con tu mujer… pero esa Yoani y el grupo con el que se relaciona”); de sugerencias acerca de que está siendo engañado por mí (“¿Tú crees que te lo sabes todo?…”). Y como colofón, como estocada maestra al final del dulce encuentro, la pregunta más infame: “¿Y tu hijo?…”. Una amenaza directa a nuestro hijo menor, de 20 años, estudiante, completamente ajeno a cualquier tipo de activismo político y dedicado por entero a sus estudios y a su pasatiempo favorito, la música. Un botón de muestra de lo despreciable y sórdido de este sistema, un total desprecio por los valores familiares, que es el verdadero rostro del socialismo cubano.

Tengo la enorme satisfacción de declarar que mi esposo no flaqueó, que rechazó “colaborar”, que manifestó su respeto por mí y por lo que hago, que defendió punto por punto sus verdades (que también son las mías) a riesgo de la pérdida de su trabajo -que ha sido durante años la única fuente relativamente segura del sustento familiar- y de cualquier otra represalia. Hasta ahora mantuve la verdad de que el régimen y sus métodos fascistas no habían molestado a mi familia; el 10 de febrero de 2009 marcó el final de lo que solo era un seguimiento indirecto, con preguntas e investigaciones a nivel de vecindario y de CDR y se inició la fase de hostigamiento por parte de un gobierno que, de facto, honra los principios y los métodos que de jure critica: quien no esté conmigo está contra mí y cualquier recurso es válido para anularte. Mi esposo fue interrogado por el único y terrible delito de serlo: hace casi 27 años está durmiendo con el enemigo.

Hago público el hecho para denunciar la cobardía de una dictadura que no vacila en ejercer su poder absoluto contra los ciudadanos librepensadores y contra sus familias, un gobierno que se oculta hipócritamente para amenazar, que miente para condenar, que aplica represalias y que ha demostrado a lo largo de medio siglo los excesos a los que es capaz de llegar. Declaro también públicamente que no voy a callar mis verdades y defenderé hasta las últimas consecuencias mi derecho a decirlas, que no concurro en ilegalidad alguna y actúo en apego a la Constitución vigente, y que soy una persona libre y continuaré siéndolo a despecho de cualquier acción que decidan aplicar en lo sucesivo. Desde hoy hago responsable a la dictadura cubana y a sus cuerpos represivos de cualquier daño o perjuicio que en lo adelante pueda sufrir yo o cualquier miembro de mi familia.

***

É esse regime que segue sendo o modelo do PT, do PCdoB e de outras siglas socialistas para o Brasil. Até quando vamos tolerar que essa gente não seja chamada pelo nome e cobrada pelo que de fato é?

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As meninas

- Sorvete não, amor!, disse uma voz feminina logo atrás de mim na fila do caixa dirigindo-se a uma menina graciosa que faz cara e voz de criança resmungona diante da geladeira da loja, um pote de sorvete nas mãos.

- Mas eu estou tão magrinha...

- Tem muita fruta em casa...

O rapaz a minha frente, cabelos cortados curtos o bastante para serem arrepiados com gel, volta-se para trás à procura da voz num movimento de cabeça lento e ostensivo, a cara amarrada no que acredito seja sua melhor expressão de desprezo. Encontra outra menina, mais magra e nem tão bonita, mas igualmente jovial, de cabelos curtos pintados de uma cor entre o laranja e o ruivo. Ela o ignora, não sei se por não vê-lo ou simplesmente por não caber em si de felicidade: está apaixonada e não tem olhos senão para seu amor.

A outra volta para fila sem o sorvete e reparo que tem na mão uma panelinha de ágata branca.

- Onde você achou?, eu pergunto.

- Lá em cima...

- Estou procurando uma assim faz tempo! A minha perdeu o cabo...

Explico que o cabo se descolou do corpo da panelinha talvez por conta da contínua exposição ao calor.

- Eu usava pra fazer café...

- Essa é pra cera...

Confesso envergonhado que na hora pensei que elas estivessem fazendo velas em casa ou algo assim. (Foi preciso que você explicasse que mais provavelmente a cera teria outra finalidade. Será? Ainda assim continuo incrédulo diante de tanta naturalidade...)

Mas na hora apenas sorri sem malícia nem embaraço - e ficamos falando sobre cabos e panelas. As meninas, tão felizes de seu amor, tão encantadas de si mesmas, tão transbordantes estavam que seriam capazes de falar com paixão sobre qualquer assunto.

Talvez ao rapaz faltasse quem lhe chamasse de amor. Seu mal talvez fosse o tipo de solidão a que se destinara. Somos o que fazemos de nossa solidão. Ciúmes ou inveja, autopiedade ou rancor, compaixão ou desprezo são os extremos de uma escala cujo ponto de equilíbrio é a simples aceitação de si e dos outros a cada momento da vida.

Enfim, o rapaz desfez-se entre os caixas enquanto nós três falávamos imersos numa aura de mútua simpatia.

- Sabe de uma coisa? Guardem meu lugar que eu vou dar um pulo lá em cima e pegar uma panelinha dessas! 

- Acho que ainda tem uma!

Corri e encontrei a última panelinha branca. Junto dela e lhe fazendo par havia outra, semelhante a uma jarra pequena, com bico e asa, simpaticíssima. Comprei as duas e ainda voltei a tempo de não perder meu lugar na fila.

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Contingência e responsabilidade

A "contingência de todos os fatos", como escreveu Wittgenstein na abertura do Tratactus, nos obriga a uma responsabilidade enorme: nada nunca teria de ser como foi. Não é horrível? rs
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Carnaval

Talvez, talvez o carnaval tenha se tornado a última chance das pessoas se sentirem ingênuas.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Líder e a História

Demétrio Magnoli, publicado em O Globo, 19.03.09

“A partir de hoje, me consumirei a vida toda ao serviço do povo venezuelano.” No momento da vitória no referendo, Hugo Chávez adicionou à paráfrase de São Paulo o seguinte: “Hoje vocês escreveram meu destino político, que é igual ao meu destino de vida.” As ideias de consagração pessoal a uma causa transcendental e de comunhão absoluta entre a vida pública e a privada definem a persona do líder revolucionário, uma figura que só deixa o poder na hora da morte.

Joseph Stalin, o “guia genial dos povos”, governou a URSS durante quase três décadas, entre 1924 e 1953. Adolf Hitler, o Fuhrer, conduziu a Alemanha desde 1933 até a catástrofe nacional, que coincidiu com a imolação pessoal, em 1945. Benito Mussolini, o Duce, liderou a Itália por mais de 30 anos, até sua execução em praça pública. Mao Tsé-tung, o “farol da revolução”, reinou no antigo Império do Centro durante 27 anos. Kim Ilsung, o “eterno presidente”, mandou na Coréia do Norte ao longo de 45 anos e, antes de morrer, transmitiu o poder a seu filho. Fidel Castro, o “comandante”, ultrapassou todos os demais, atormentando os cubanos por meio século antes de transmitir o cargo a seu irmão. Hugo I, da Venezuela, propõe-se a conduzir pessoalmente sua revolução até 2030, quando estaria com 76 anos e ultrapassaria a marca de três décadas no poder.

No plano imaginário, o líder deve eternizar-se no poder, pois é detentor de um tipo particular de carisma. Ele tem uma sabedoria indefinível, mas superior à dos demais: um pacto secreto com a História e uma consciência especial do destino de uma nação ou de toda a Humanidade. “Chávez une o que é diverso: o povo”, explica Aristóbulo Istúriz, dirigente do PSUV, o partido chavista.

O líder é infalível.

No plano político, a perpetuação do líder funciona como solução para a carência de regras de sucessão típica dos regimes revolucionários. Como o sistema político se fecha em torno do partido da revolução, a competição pelo poder se degrada em conspirações no interior do círculo dirigente.

Para evitar a crônica instabilidade, em nome de uma ordem duradoura, o líder governará até morrer. Nas palavras de Istúriz: “Na Venezuela, não há período de governo normal, tradicional.

Não há programa de governo, e sim processo revolucionário. Isso requer tempo.” Sim: muito tempo.

Para os revolucionários, História se escreve com maiúscula. Os democratas escrevem história com minúscula.

A democracia se sustenta sobre uma convicção negativa: a ideia de que a história não tem “leis” nem destino. A metáfora do “trem da História” expressa a crença dos revolucionários na existência de uma ordenação da aventura humana cuja fonte é natural, econômica ou divina. Essa crença conferelhes uma chave mágica dos portais do futuro e o lugar político especial de partido que fala em nome do progresso.

A oposição a tal partido representa uma negação das “leis da História”, um desvio que deve ser banido. Na democracia, pelo contrário, vigora o consenso de que a história não se dirige a nenhum lugar particular. Dele decorrem a crença de que ninguém detém uma verdade superior e o princípio pelo qual todos os partidos têm o direito legítimo de almejar o governo. A Venezuela se encontra num ponto decisivo da transição entre a democracia e a tirania revolucionária.

O referendo venezuelano chamou os cidadãos a dizer se aprovavam uma emenda que “amplia os direitos do povo”, permitindo a reeleição indefinida.

O ministro Celso Amorim, vergonhosamente, defendeu a natureza democrática da emenda chavista. Mas democracia não é igual a vontade da maioria.

Democracia é o regime que exprime a vontade da maioria pela mediação das instituições representativas, conserva o equilíbrio de poderes e preserva as liberdades públicas e os direitos da minoria. A vontade da maioria, sem as demais qualificações, é o fundamento da tirania. A passagem da democracia para a tirania se dá pela extinção do Estado como ente público.

No caso dos regimes revolucionários, o Estado é convertido em apêndice do partido da revolução — e em instrumento da vontade do líder.

As democracias se protegem da subordinação das instituições públicas a um líder pela limitação do direito à reeleição, uma garantia da alternância de dirigentes no poder. Mas, por si mesma, a aprovação da emenda que permite a reeleição indefinida não significa a implantação de uma tirania. A democracia se estiola na Venezuela porque o Estado se transforma em patrimônio de uma corrente política particular. O resultado do referendo reflete a identificação crescente do Estado com o PSUV.

No país de Chávez, a Presidência controla o Parlamento, o Judiciário e a comissão eleitoral. Os militares fazem a saudação chavista. O presidente da República é o presidente do PSUV. Os ministros são altos dirigentes do partido.

Os funcionários públicos são compelidos a agir como ativistas do partido. A polícia reprime manifestações da oposição.

Os recursos públicos financiam os “coletivos”, grupos de militantes partidários que atuam em projetos sociais, nas periferias, e como milícias de choque oficialistas, atemorizando opositores.

Capturado pelo chavismo, o Estado perde seu caráter público.

Segundo Chávez, o referendo é parte de “uma nova doutrina constitucional que tem como vanguarda a Venezuela”.

Processos plebiscitários costumam acompanhar a implantação das tiranias. Governos democráticos e ditaduras em crise terminal podem perder plebiscitos, mas regimes revolucionários não os perdem, pois o Estado não será derrotado no jogo em que é parte e juiz. Depois do fracasso no referendo de 2007, Chávez aprendeu o segredo para vencer disputas plebiscitárias. Basta introduzir a violência de Estado na equação política, esvaziando de conteúdo as regras que asseguram as liberdades públicas. A democracia não tem lugar no “terceiro ciclo da revolução bolivariana”.

Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em geografia humana pela USP (demetrio.magnoli@terra.com.br)
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Leitura e pobreza

Uma das maiores tolices sobre o baixo índice de leitura dos brasileiros ouvi agora na TV, num documentário ds TVE sobre a biblioteca de José Mindlin, foi dita por Antonio Candido. Segundo ele, o brasileiro lê pouco porque o país é economicamente injusto. 

Depois até gostaria de pensar mais longamente sobre as causas da aversão à leitura dos brasileiros, mas a falta de dinheiro é a menor delas. Cito a mim como exemplo: há anos que só compro livros em sebo. Raramente gasto mais do que 20 reais em um livro, preço pago por uma edição em capa dura de Os Lusíadas, publicada como parte das comemorações do sesquicentenário da Independência. Mas o preço médio dos livros que compro é de 10 reais. Mas fuçando em sebos e feiras é comum encontrar livros ainda mais baratos.

Ou seja, quem quer ler, lê - dinheiro não é obstáculo.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Do tempo

Correram depressa esses dias... Há em mim uma urgência, é certo, que nada tem a ver com calendários e relógios e que exigiria um mundo mais lento ao meu redor, de dias indistinguíveis, um eterno domingo de ruas vazias e silenciosas. Uma "urgência interior" sem uma correspondência muito exata no mundo - que ainda assim me exaspera com seus apelos e exigências, suas contas, horários, rotinas, razões, prazos, tarefas, pretextos, com seus personagens. Que tenho eu, afinal, a ver com essa gente que ocupa as manchetes com promessas e discursos, ora rídiculos, ora ameaçadores?  - e ameaçadores exatamente porque são ridículos.  Como é possível que tantos creiam nisso? Será por burrice, interesse, ingenuidade? O mais certo é que seja uma mistura disso tudo, em quantidades diferentes segundo cada um. Uma sonsice generalizada que finge não ver a falsidade evidente dos atos e das falas porque pensa usufruir deles de algum modo. Não, não tenho nada a ver com isso... Ainda que veja nisso um sinal de acelerada decadência que acabará por nos conduzir a um confronto de resultados imprevisíveis, esse mundo é ainda apenas um obstáculo incômodo, mas secundário. 

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Oração (versão final)

O santinho estava na caixa de correio de minha mãe. Aqui no Rio chamamos de "santinho" esses impressos coloridos, em geral com exatos dez centímetros de altura por sete de largura, que trazem na frente a imagem de um santo e, no verso, sua oração, feitos para pagar alguma graça alcançada.

Eu estava sem óculos e não pude identificar de imediato o santo. Cheguei a pensar em jogá-lo no lixo ou abandoná-lo na caixa de correio, mas acabei por levá-lo para a casa de minha mãe junto com todo o resto da correspondência. Ela que decidisse o que fazer com ele.

Na verdade, eram dois santinhos iguais. "Leva um pra você", ela disse. E eu, mais para agradá-la, levei. Só Deus sabe o quanto podem ser insistentes e suscetíveis as mães... E sábias, muitas vezes, por que não é que me encantei pela santa?

Era Nossa Senhora Desatadora dos Nós - de quem eu antes nunca ouvira falar. Mas imagem é uma graça: uma Nossa Senhora muita atenta dedica-se a desatar os nós de uma fita sem fim que lhe é trazida por um anjo, enquanto outro se encarrega de dar destino à fita desnovelada que vai saindo do outro lado. Quem já desatou nós sabe que se trata de um trabalho meticuloso, que exige paciência e atenção. Mas a Nossa Senhora da imagem exala uma calma celestial, apesar de a fita parecer infinita. E deve ser mesmo!

Pesquisei um pouco sobre a santa e descobri algo incrível: Nossa Senhora Desatadora dos Nós não é uma aparição ou algo assim, mas um quadro de autor desconhecido que, no começo do século 18, passou a ser venerado na Alemanha e, bem mais tarde, na Argentina. Então é como uma atribuição que se deu à Mãe de Deus: não só nos proteger e nos curar, intercedendo por nós junto a seu Filho, mas também desatar nossos nós. Porque o nó não é um mal que nos impeça de viver, mas um equívoco que nos atrapalha, que impede o pleno fluir da vida. Acho mesmo que nós, os comuns, não padecemos de males, mas sofremos por muitos nós, criados e mantidos pela ignorância, o orgulho, a vaidade, a inveja, o ciúmes...

Tão encantado fiquei com Nossa Senhora Desatadora de Nós que resolvi recorrer a ela e escrevi até uma oraçãozinha meio boba, trocadilhesca, mas muito, muito sincera. E acho que tem dado certo...
* * *
Oração para Nossa Senhora Desatadora de Nós

Nossa Senhora Desatadora de Nós, rogai por nós. Por mim e por ela, tão enroscados os dois. Ah, Nossa Senhora, desata nós, mas não nos separe. Ao contrário, fazei que entre nós perdure o laço, um laço tão caprichado que enfeite o presente.

Porque às vezes, Nossa Senhora Desatadora de Nós, a vida vira mesmo um novelo e cada um parece tão sozinho que nem junto se está, nem separado. 

Ah, Nossa Senhora, desata logo esse fio para que tudo de novo flua feito o rio que corre para mar. Porque assim deve ser o amor, a Senhora sabe...

Rogai por nós, Nossa Senhora, tão tadinhos nessa nossa cegueira medrosa. Dai-nos a luz, Nossa Senhora, mas aos poucos e com carinho ou acabamos cegos de vez e devotos de Santa Luzia.

Amém

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O ouro e a crise

"O defeito do ouro, por sobre o euro ou o dólar - as duas principais moedas de reserva - está no fato de ser ativo físico de bolsa, com pés nas flutuações de oferta e procura.

A Rússia, por exemplo, está estocada de ouro até o telhado. Se ela, para aprovetiar a alta, desovar alguma tranche no mercado - lá se vai também o ouro pro brejo - e em escala global." Joelmir Betting, A Bolha de Ouro, 04/02/09

* * *
O que mais se tem ouvido falar é sobre exatemtne a volta do padrão-ouro. Então imaginem se a Rússia "se oferecesse" para salvar o euro - uma moeda que nada fica devendo ao dólar em termos de falta de lastro - em troca de sua inserção na União Européia?

Um euro rastreado em ouro russo. Será esse o "objetivo" dessa crise?

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Divagações sobre Nossa Senhora Desatadora de Nós

Nossa Senhora Desatadora dos Nós é uma santa incomum (ver post abaixo).
Não se trata de uma pessoa santificada, como Santa Teresinha, por exemplo, ainda que se refira a Mãe de Deus. Nem tampouco é uma aparição de Nossa Senhora, como é o caso de Nossa Senhora de Fátima.

Nossa Senhora Desatadora de Nós é simplesmente um quadro de autor desconhecido, venerado numa igreja da Bavária desde o início do século 18. Nesse sentido, ela é muito parecida com Nossa Senhora Aparecida, que é uma imagem em terracota encontrada num rio. Mas a semelhança acaba aí. Enquanto Aparecida é uma imagem comum de Nossa Senhora que tornou-se objeto de devoção pelos milagres a ela atribuídos, a Desatadora de Nós já foi criada em ação, desatando os nós de uma fita que lhe é trazida por anjos. Ela é deliberadamente a personificação de uma finalidade muito específica (e dela logo falaremos): desatar nós. E, claro, o significado de "nós" aqui é puramente metafórico e abstrato.

Enfim, Nossa Senhora Desatadora de Nós é uma santa conceitual e, por isso, moderníssima!

Digo isso, porque, ao contrário de todos os outros santos que conheço, ela não age preventivamente (não lhe rogamos proteção) nem posteriormente (não lhe pedimos que nos cure ou corrija um mal). Ela, como o próprio nome diz, opera sobre os "nós".

O que é um nó? Intuitivamente, acho que todos concordarão que um nó é qualquer obstáculo que impeça o fluxo livre de uma corrente. Mas impeça apenas parcialmente, um entupimento, ou haveria um transbordamento ou uma explosão. Ou seja, o nó antecede o mal e pode mesmo não deixar que ele chegue jamais a se consumar como um fato negativo, mas temporário e passível de correção ou cura. O nó não é uma paralisação, mas um retardamento, um entorpecimento, que pode anteceder uma ruptura - que por sua vez, tende a ser definitiva.

Não tenho certeza, mas acho que podemos assimilar a idéia de nó a idéia de neurose. E assim, Nossa Senhora Desatadora dos Nós torna-se ainda mais moderna e pré-freudiana. Doido, não?
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Oração para Nossa Senhora Desatadora de Nós



Nossa Senhora Desatadora de Nós, rogai por nós. Por mim e por ela, tão enroscados os dois. Ah, Nossa Senhora, desata nós, mas não nos separe. E que entre nós perdure o laço.

Nossa Senhora Fazedora de Laços, fazei de nós um laço bem caprichado. Um laço de presente com duas fitas de cor em harmonia e contraste: eu mais ela, igual a nós. Nós enfeitando o presente.


Porque às vezes a vida vira um novelo e cada um de nós parece tão sozinho que nem junto se está, nem separado. Ah, Nossa Senhora, desata logo esse fio para que tudo de novo flua feito o rio que corre para mar.

Rogai por nós, Nossa Senhora, tão tadinhos nessa nossa cegueira medrosa. Dai-nos a luz, Nossa Senhora, mas aos poucos ou nos cegamos de vez e acabamos devotos de Santa Luzia.

Amém
* * *
"O quadro de Nossa Senhora Desatadora dos Nós foi pintado por um artista desconhecido por volta do ano 1700 e é venerado em Ausburg, na Bavária, Alemanha, na igreja de St. Peter Am Perlach. Uma cópia desta pintura é venerada em Buenos Aires, Argentina, para onde foi levada pelo bispo Dom Bergoglio.

Maria é representada como a Imaculada Conceição. Percebe-se que ela está situada entre o céu e a terra. Sobre a Virgem o Espírito Santo derrama suas luzes. Sua cabeça encontra-se adornada de doze estrelas, que remetem às doze tribos de Israel e aos doze apóstolos.

Um dos anjos entrega-lhe uma faixa com nós maiores e menores, separados e juntos.

Estes nós simbolizam o pecado original, nossos pecados cotidianos e suas conseqüências que impedem à graça frutificar livremente em nossa vida.


Na parte inferior do quadro vemos que a faixa cai livremente. Um nó foi desatado. Há um anjo e um homem e entre eles um cachorro. Dirigem-se a uma igreja.

Pode-se ver aí uma referência ao livro de Tobias (6,13), onde o jovem Tobias empreende uma longa e penosa viagem na qual conhece Sara. Sara já se casara sete vezes devido a um demônio que dela se enamorara. Todos os seus maridos morreram na noite das núpcias. Tobias consegue casar-se com ela e voltar à casa de seu pai. Isto significa que
para dois corações realmente se encontrarem, há que se desatar primeiro muitos nós." leia mais
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

De portas e ventos

O vento é a alma invisível do mar. O amor é o mar; nós somos o vento.

Não duvide nunca que você ama. O amor, como o mar, nos abarca, imenso, e perde-se para além de nossa vista. Ambíguo e imprevisível, o mar, como o amor, ora nos encanta com sua calma, ora nos assusta com sua fúria. Ora é ciúmes, ora é compaixão; ora é medo de perder, ora é quase indiferença. Mas é amor sempre - sem que lhe saibam o fim, sem que lhe conheçam a origem.

Deduzimos do ritmo de suas ondas, que o mar como o amor, se contrai e dilata, e intuímos que seja incessante espelho do universo. E então por um instante me convenço que a lei do mundo é o amor: está escrito no mar, está escrito no vento.

Amemos, pois: nada nos resta senão amar. Amar o melhor possível com toda a força de nosso vento.

Porque o vento é alma invisível do mar e somos nós o vento, o vento que torna incerto o mar.

Deixo aberta a porta e que venha você o vento me matar a saudade do mar.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Terror e a batalha da informação

Reinaldo Azevedo

NÃO, ISRAEL NÃO ATACOU A ESCOLA DA ONU. ERA UMA FARSA DO HAMAS. A ONU FOI OBRIGADA A ADMITIR A VERDADE. QUASE UM MÊS DEPOIS! CADÊ AS MANCHETES?

A notícia não está em nenhum dos jornais brasileiros ou nos grandes sites noticiosos. Lembram-se aquele ataque das Forças de Defesa de Israel a uma escola da ONU, que matou 43 pessoas? Pois é. Não foi numa escola da ONU coisa nenhuma, o que os israelenses vinham dizendo desde o dia 6 de janeiro. Só na segunda-feira, quase um mês depois, Mawell Gaylord, coordenador de ações humanitárias da ONU em Jerusalém, admite a verdade: o morteiro foi lançado numa rua PERTO da escola, mas não contra a escola.

Ora, recuperem o noticiário dos jornais e sites do Brasil e do mundo naquele dia 6. Lembro-me de ter aqui ironizado que os israelenses, maus como pica-paus, não podiam ver uma escola da ONU que iam logo jogando morteiros. Talvez para se livrar do tédio, não é? Ah, acusaram-me de insensível facinoroso. Marcelo Coelho, da Folha, sugeriu no jornal e no seu blog que tenho certa simpatia pelo assassinato em massa de crianças... Mais: como eu alertasse aqui para o óbvio — O HAMAS É A FONTE DAS NOTÍCIAS —, fui acusado de realismo estúpido. Coelho chegou a indagar algo como: “Para que jornalismo se já existem os militares?” Ou coisa assim. Chegou a minha vez de indagar: PARA QUE COELHO SE JÁ EXISTE O HAMAS?

O jornalismo dele, não sei para que serve. O meu existe, entre outras razões, para que os freqüentadores deste blog possam ler com mais acuidade o que é noticiado na imprensa.

Não se espante, leitor, se, naquele episódio, não tiverem morrido as 43 pessoas anunciadas. Todas, rigorosamente todas as ditas “atrocidades” cometidas por Israel têm origem no, como direi?, Departamento de Propaganda do Hamas: do grande número de crianças e civis mortos ao uso de bombas de fragmentação e fósforo branco para atacar pessoas. Este segundo caso, então, pode dar pano para manga. A tal substância não é considerada arma química. É empregada para iluminar alvos noturnos e criar cortina de fumaça para ação da infantaria. Israel nega que tenha feito qualquer coisa fora das leis internacionais. Como negava que tivesse jogado morteiro numa escola da ONU — e falava a verdade. De todo modo, abriu-se uma investigação.

Como se vê, o Hamas faz direitinho o seu trabalho. O ataque mentiroso à escola foi manchete do mundo inteiro. O desmentido, até agora, está apenas no Haaretz. O mundo também não se interessou em manchetar as torturas e execuções sumárias que se seguiram à retirada de Israel de Gaza.

A imprensa ocidental se deixou seqüestrar pela lógica terrorista. Esse caso da escola merece a justa designação: ESCÂNDALO. Quer dizer que os homens da ONU em Gaza demoraram um mês para fazer o que poderiam ter sido feito em cinco minutos? Escrevi aqui, certa feita, que o principal inimigo de Israel no Oriente Médio é a organização. Foi uma gritaria. Eis aí.

Bem, esperar o quê? O principal representante das Nações Unidas em Gaza é um sujeito que acredita que os próprios EUA tramaram o 11 de Setembro...

Pois é, leitores. Como diria aquele, quando já temos o terrorismo e a ONU, pra que certo jornalismo, não é mesmo?

Para deixar comentários no post original, clique aqui

* * *
Eu também desde o início da reação israelense insisti nessa verdade inegável e ambígua: toda a fonte de informações sobre os palestinos em Gaza era o próprio Hamas. E a experiência jornalística já demonstrou cabalmente que entidades terroristas e criminosas não podem ser admitidas como fontes confiáveis de informação.

Minha tese conspiratória sobre o conflito é que Israel foi mais uma vez os palestinos foram usados como bucha de canhão, desta vez para salvaguardar os interesses do Irã na região. O Irã como é notório vem desenvolvendo com o apoio provável de russostecnologia nuclear. Ninguém dúvida de suas intenções - produzir armas atômicas - e de seu alvo final - Israel. Obviamente o Irã tornou-se um objetivo militar israelense e suspeitava-se de um ataque iminente neste momento de transição entre Bush e Obama.

Levar Israel a um conflito secundário com o Hamas desviou o esforço militar israelense ao mesmo tempo que enfraqueceu internacionalmente o país.

Por outro lado, sob o ponto de vista do terrorismo internacional, serviu para testar seu poder de manipulação dos meios de comunicação ocidentais. Nesse sentido, o conflito foi uma vitória do Terror: eles ganharam a batalha da informação.

Minha tese conspiratória número um - da qual todas as outras são secundárias - é que a Terceira Guerra já começou. E é sabido que, em guerras de longa duração e vasto alcance - o primeiro front a ser vencido é o front da informação - sobretudo se os inimigos são democracias fundadas na liberdade de expressão.

esse, sem dúvida, aspecto mais preocupante do conflito: o domínio do Terror sobre os meios de comunicação ocidentais é apavorante.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dia de Iemanjá





"Dia dois de fevereiro, dia de festa no mar..."

Isso lá na Bahia. Aqui no Rio, Iemanjá se comemora no dia primeiro de janeiro. Mas a festa do reveillon tomou definitivamente as praias, expulsando talvez a mais bonita de todas as festas religiosas do Rio.

Era lindo ver toda a extensão das praias cariocas, do Leme ao Posto Seis, Do Arpoador ao Leblon, do Flamengo a Botafogo, tomada pela luz bruxuleante das velas enterradas na areia e o batuque difuso das rodas de santo, as pessoas todas de branco, caminhando reverentes, indo fazer sua prece na beira do mar, lançando suas oferendas para Iemanjá em singelos barquinhos de madeira carregados de vidrinhos de perfume barato, pentes, fitas, rosas brancas... Era lindo.

Agora é aquele horror que consegue a cada ano superar o anterior em mau gosto.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Física e o amor

Ouvi dizer que existe uma qualidade dos átomos que os físicos quânticos chamam de entanglement. A tradução não me ocorre agora, mas é algo como entrelaçamento. Não sei explicar com detalhes, mas, em resumo, se dois átomos iguais ou da mesma origem são separados, o efeito que se provocar em um deles é imediatamente sentido pelo outro, não importa a distância entre eles.

Eu pensava nisso ontem e hoje, mergulhado no mar geladíssimo, imaginando que não importava em que praia você estivesse, pois o mar nos unia: que você sentisse o mesmo prazer que eu sentia me bastava.

Então, apoiado na física - que parece saber mais sobre o amor do que toda a psicologia - concluí que nem era preciso que você estivesse no mar: eu mesmo levaria o mar até você, de tal modo nos sinto entrelaçados.

Finalmente, conjecturei que talvez tudo entre nós seja muito mais simples e irremediável: somos feitos dos átomos da mesma estrela que explodiu há milhões de anos e se espalhou por aí, mutável e eterna...
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