sábado, 28 de julho de 2007

Mestre-sala e porta-bandeira

Dona Hilda tem 86 anos. Caminha devagar, o corpo encurvado, a mente dividida entre suas preocupações e a paisagem familiar. Desde que nasceu, mora no mesmo bairro e talvez se pudesse traçar no mapa da cidade as fronteiras geográficas de sua existência. A leste o Atlântico, a oeste o Cosme Velho; a rua Paissandu, com suas palmeiras centenárias, ao sul, e a rua do Lavradio, na Lapa, ao norte, comporiam o quadrilátero irregular onde lhe transcorreu a vida, essa mistura enigmática de carne, memória e tempo.

Os cabelos muito brancos suscitam em adultos e crianças a delicada atenção que um dia dedicamos às nuvens. A pele, também alvíssima, apesar de enrugada, guarda uma suavidade e maciez tão surpreendentes que chega a causar inveja nas mulheres mais jovens. Mas são os olhos que encantam - vivazes, velozes, atentos - a indicar que por dentro daquele corpo agora frágil, habita uma alma vigorosa.

Dona Hilda é, aliás, um exemplo de obstinada resistência, especialmente às doenças e aos médicos. Sempre que obrigada a freqüentá-los, ouviu a todos com indisfarçável impaciência para depois, em casa, adaptar os receituários ao seu horror aos remédios.

De modo geral, nunca obedeceu senão a si mesma e fez sempre o que quis, ainda que tenha dificuldade em aceitar que os outros sigam seu modelo. Há nisso, claro, alguma intolerância, mas sobretudo prudência: ela se sabe guiada por poderosas intuições que nunca lhe traíram inteiramente, enquanto os outros lhe parecem seguir os impulsos caprichosos do desejo inconstante e fugaz.

Por tudo isso, em relação à humanidade, Dona Hilda cultiva o sentimento oposto ao do personagem machadiano: ama o indivíduo, mas desconfia da espécie. Um exemplo prático: não há pivete que, tendo lhe pedido um trocado, não tenha, em vez disso, ganhado um pão. Dinheiro mesmo, jamais.

Dona Hilda vem de volta da feira onde tem seus feirantes certos. O rebuliço ambiente, seus muitos cheiros e cores, lhe atiçam a alma, o corpo se ilude e Hilda ganha momentaneamente a forma de menina vigorosa com que, acredita, um dia se apresentará a Deus.

Compra os brócolis que adora; o peixe, mais para filho do que para si (como tudo mais na sua vida, aliás); meia dúzia de laranjas; talvez, algum mamão se o achar bonito. Escolhe tudo a dedo, um a um, com meticulosa autoridade, exercendo o prazer da minúcia; reclama do preço, regateia, sorri - diverte-se!

Agora vem pela calçada e de repente um mulato alto e forte lhe chama a atenção: "Senhora! Senhora!" A urgência da voz a assusta, mas o imenso sorriso logo a acalma. "Cuidado! A senhora está com um saco plástico preso nas pernas!" Ela olha e surpreende-se que ainda não houvesse sentido o objeto que ameaça enroscar-se perigosamente em seus tornozelos. "Assim a senhora pode cair...", alerta o mulato, a voz modulada pelo carinho. Dona Hilda esboça então o movimento de abaixar-se. "Não! Deixe que eu faço isso.."

E já passando das palavras à ação, o mulato dobra-se num gesto elegante de mestre-sala para, num volteio de mão, transforma o saco plástico num lenço com que abre de novo o caminho de sua porta-bandeira quase centenária. Em seguida, o corpo magnífico ergue-se num giro reverente e acolhe como uma benção o obrigado que recebe. A cena se desfaz e os dois seguem seu dia mais felizes.
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domingo, 22 de julho de 2007

A sandália fujona

O menino se chama Timothy, deve ter uns nove, dez anos e é branquinho, branquinho. Não nesse tom aperolado que nos acostumamos a chamar de branco. Branco mesmo - como uma nuvem. Coisa até engraçada de se ver. É americano e como sua mãe é brasileira, fala português com sotaque.

A brancura, agravada pela magreza e a postura um tanto encurvada que lhe cava um buraco no peito, lhe dão uma aparência frágil, mas há um brilho esperto nos olhos que contrasta com esse jeito um tanto atrapalhado.

No meio das outras crianças ele parecia perdido às vezes e talvez apegado demais à mãe. Afinal, não era só um estranho, mas também um estrangeiro, o que só conferia nobreza ao seu sincero e assustado esforço de se enturmar. Mesmo assim, vira-e-mexe, lá estava o Timothy sozinho à procura da mãe, arredio às ofertas de atenção dos outros adultos.

Por tudo isso, logo simpatizei com ele. Não por bondade minha, e sim por identificação com essa fragilidade cheia de bravura. Estou longe de ser um sujeito indefeso, mas me sinto mais próximo dos fracos, dos frágeis, dos perplexos do que daqueles que parecem fortes e bem ajustados ao mundo.

Éramos um grupo grande e, à noite, estávamos na praia, ao redor de uma fogueira quando Timothy anunciou que perdera um pé das sandálias havaianas. Ninguém pareceu se preocupar muito com o fato. A dificuldade de encontrar uma sandália àquela hora se opunha ao seu pouco valor e à grande chance de, na manhã seguinte, alguém dar de cara com ela.

Só para o Timothy encontrar imediatamente a sandália parecia uma questão vital. A princípio, as crianças fizeram da procura mais uma brincadeira. Depois de um tempo, acho que só mesmo o Timothy continuava procurando silenciosa e obstinadamente a sandália. Até que sua mãe anunciou:
- Bom, Timothy, vamos fazer a última busca. Se a gente não achar agora, você vai dormir...

A intimação animou as crianças que ainda estavam por ali e lá foram eles, liderados pela mãe desesperançada, atrás do pé de sandália fujão.
Senti um aperto no coração pelo Timothy que iria dormir sem a sandália. Então, do nada, uma intuição me brilhou no espírito: "Levanta que você vai achar a sandália."

Menos por ceticismo do que por preguiça, ainda vacilei um instante, aconchegado ao fogo na areia macia. Mas, obedeci: levantei e fui. Ia devagar, os olhos apurados, esquadrinhando a areia. De repente, tropecei em algo e já ia seguindo quando me dei conta que pelo jeito que a coisa me enganchara no pé tinha tudo para ser... a sandália! E era! A sandália me achara!
Troquei a sandália por um abraço apertado do menino branquinho como uma nuvem e ainda ganhei de presente um novo amigo, esta crônica e um pouco mais de fé.
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sexta-feira, 20 de julho de 2007

A verdadeira face do Governo

Não custa lembrar: Marco Aurélio Top-Top Garcia é um homem público, num prédio público, no horário de trabalho; as janelas estão abertas e a câmera apenas registra sua movimentação e a do assessor. Não há, em hipótese alguma, invasão de privacidade.

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domingo, 15 de julho de 2007

Dos ventos

De repente, uma lufada de vento entra rodopiando como um capoeira atrevido, espalhando pela casa o cheiro acre de mar que tanto me delicia.

Vem de leste, petulante arauto do sol que chegasse para anunciar que, ao contrário de todos os prognósticos, não haveria chuvas e a cidade continuaria a viver os dias agradáveis de um veranico que já se estende desde o outono; dias esplendorosos e cálidos, de luz límpida e céu sem nuvens.

Eu me encanto imaginando que por secretíssimas alquimias os caprichos da natureza e da cidade alcançaram inesperado e provisório acordo apenas para que nós cariocas pudéssemos experimentar o gosto do paraíso. Claro, há as manchetes, as íntimas mesquinharias e as preocupações legítimas a nos embotar o corpo e a alma, mas não há também mal que resista a uns poucos minutos de olhos fechados sob o abraço amoroso dessa luz.

Eu mesmo, num desses dias, me flagrando tomado pela pressa, inventei de usar o celular apenas como pretexto para ficar parado num canto de calçada tomando sol sem parecer mais um maluco. Que prazer fechar os olhos e me abandonar ao sol, revisitando lá no mais fundo de mim a liberdade essencial que me permitirá sempre, a qualquer momento e sem nenhum motivo, simplesmente parar! Eu sou livre, radicalmente livre! Não estou preso a nenhum passado e a nenhum futuro - a não ser, claro, aos grilhões imaginários que o medo de ser livre me inventa. Nome, pátria, família, espelho - nem mesmo esta língua que me é tão cara, nem mesmo o amor que é você: nada, ao fim, me prende a nada. Essa liberdade que só se traduz em solidão e silêncio, essa liberdade exuberante e pavorosa, é minha, queira eu ou não.

E há nesse cheiro de mar que me toma a casa o mesmo desafio viril que repousa nas profundezas de cada um. Bruto, sensual, imprevisível cheira o mar a amor e liberdade - abismos onde perder-se é já um ato de nobreza. E a quem tanto ouse, mesmo que erre, Deus há de oferecer, não a flácida complacência humana, mas o genuíno perdão: "Bem-aventurados os que ousam, porque voltarão a Deus", penso ouvir sussurrar o vento que me espalha folhas pelo chão.
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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Da série: "Os piores quatro anos de nossas vidas"

Duas manchetes do UOL agora mesmo:

Bolívia pede reunião urgente com Brasil sobre usinas do Madeira

Stédile diz que governo Lula e transnacionais são inimigos do MST

Será por acaso?

E enquanto pensa, me diga: quem é o melhor amigo de Evo Morales e Stédile?
Um visto americano sem filas para quem respondeu "Hugo Chavez".

Ah, sim! E quem são os melhores amigos de Chavez? Irã, Rússia e... China!

E a China é um o quê do Brasil?
Pontos no Enem para quem marcou "concorrente" entre as 1917 opções oferecidas.

O Brasil é, sim, um concorrente da China. E dos mais perigosos. Temos energia barata, farta e variada, uma mão-de-obra versátil, boa relação entre salário e custo de vida, proximidade dos EUA.
A China já deixou bem claro para um atônito Lula e seus lunáticos do Itamaraty e adjacências que ela quer a nossa soja - e só mesmo! Um grande fazendão, enfim, aberto a seus produtos. E fazendão, a gente sabe, é com o Stédile...
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quarta-feira, 11 de julho de 2007

Um poema de Juarroz

A propósito da crônica abaixo, Laura me deixou um comentário lá no Café entre cujas belezas se inclui este poema:

Pienso que en este momento
tal vez nadie en el universo piensa en mí,
que sólo yo me pienso,
y si ahora muriese,
nadie, ni yo, me pensaría.

Y aquí empieza el abismo,
como cuando me duermo.
Soy mi propio sostén y me lo quito.
Contribuyo a tapizar de ausencia todo.

Tal vez sea por esto
que pensar en un hombre
se parece a salvarlo.
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domingo, 8 de julho de 2007

Carta ao sr. Molina

Caro sr. Antonio Muñoz Molina:

Por artimanhas de um destino que não compreendo bem, me acontece ser um leitor que pode se dar ao luxo da inatualidade. Um luxo, sim. Eu diria mesmo o maior deles. E, por isso, o mais caro de todos.

Não estranhe, portanto, que eu o trate, sr. Molina, como uma descoberta pessoal - quando certamente o senhor é já escritor consagrado, não só na Espanha, sua terra natal, como decerto no mundo todo. Ao menos faz por merecê-lo. Mas nem por isso renunciarei ao prazer que meu luxo acarreta: o de, a cada dia ou sempre que me dá na cabeça, reinventar o mundo como novidade.

Foi esse exatamente o efeito de encontrar na banca de saldos do sebo que freqüento o seu "Sefarad", título tão sugestivo para quem, como eu, tem pelos judeus um afeto curioso e admirado.

Gosto de repetir que se costumamos pensar Deus como ordem e necessidade, (como conservação, enfim), é na surpresa do acaso que sentimos encontrá-Lo. Então foi assim como um presente que do livro aberto a esmo se me derramaram sobre o dia que perseverava amargo as palavras que se seguem:

"Você é qualquer um e não é ninguém, é quem você inventa ou recorda ou quem outros inventam e recordam, os que o conheceram há tempos, em outra cidade e em outra vida, e guardaram de você uma imagem congelada de quem você era na época, uma dessas fotos esquecidas que achamos estranhas e até rejeitamos quando voltamos a vê-las ao fim dos anos. Você é quem imaginava futuros quiméricos que agora lhe parecem pueris, e quem tanto amou mulheres das quais agora nem se lembra, e quem se envergonha de ter sido, e quem foi às vezes sem que ninguém soubesse. Você é o que os outros, agora mesmo, em algum lugar, contam a seu respeito, o que alguém que não o conheceu conta que lhe contaram, e o que alguém que o odeia imagina que você é. Muda de quarto, de cidade, de vida, mas há sombras e duplos seus que continuam morando nos lugares de onde você partiu, que não deixaram de existir porque você já não vive neles. "

A sucessão dessas letras em mim se convertia de luz em sons que intimamente me despertavam o sentido da grandeza de minha humana insignificância: a finita eternidade que se realiza a cada instante. (Sim, é preciso ser um náufrago no oceano tenebroso para perceber a eternidade de cada instante)

Por isso, sr. Molina, gostaria de agradecer-lhe. Pois, se hoje nada mais restasse do mundo que a página 365 da tradução brasileira de "Sefarad", ainda assim eu estaria salvo.

Dez reais me custou seu livro - outro luxo da inatualidade: o preço dos saldos! - e o estou lendo com o mesmo prazer de conversar com um amigo. Acredite, quem escreveu aquelas palavras não precisaria escrever mais nada. Mas, por favor, não pare!

Atenciosamente,

Antonio Caetano
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De que lado o editor está?

Chamar, no título, de "informantes" aqueles que no corpo da matéria serão tratados como "moradores acusados de dar informações à polícias" é uma indelicadeza, certamente, e uma imoralidade.
"Informantes" são traidores. "Moradores que dão informação à polícia" cidadãos que buscam justiça e que deveriam estar sendo veementemente defendidos pela polícia. Afinal, prestaram um serviço à sociedade e agora estão sendo assassinados pelos bandidos que mais uma vez a policia falhou em prender.

É o caso de se perguntar ao editor do Globo Online: de que lado o sr. está?

A matéria, que eu saiba, não foi manchete de nenhum jornal. Mais uma prova de que perdemos o sentido da indignação, o critério de avaliação da importância dos fatos. As falcatruas de Renan e Roriz não chegam nem perto do horror de ver cidadãos julgados e condenados a morte depois de semanas de guerra no Alemão.

Aliás, o nome correto em vista dos fatos deveria ser, em vez de Complexo do Alemão, República do Alemão.

Segue abaixo a abertura da matéria de O Globo Online e o link para o restante do texto.

Beltrame: Traficantes do Alemão estariam executando informantes

Publicada em 04/07/2007 às 23h53m
O Globo e O Globo Online


RIO - De acordo com reportagem publicada pelo jornal 'O Globo' , o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quarta-feira que o serviço de inteligência do órgão soube que o traficante Antônio José Ferreira, o Tota, estaria torturando e matando, no alto do Complexo do Alemão, moradores acusados de dar informações à polícia. De acordo com Beltrame, as execuções comandadas pelo bandido acontecem depois de as vítimas passarem por uma espécie de tribunal do tráfico.
Ainda segundo o secretário, os corpos dos moradores seriam enterrados no alto do complexo de favelas. Beltrame afirmou que, quando houver segurança, a polícia vai procurar o cemitério clandestino. clique para ler o resto
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sábado, 7 de julho de 2007

Das origens da loucura brasileira

A propósito da crônica da semana "O Brasil está louco", a Raquel me mandou um longo comentário por e-mail que ela me permitiu publicar, porque eu o achei muito esclarecedor. Ao menos para mim que nunca pensara na artificialidade do conceito de "brasilidade" baseada em "samba, futebol e carnaval". Os grifos são meus.


"Tantos jovens inteligentes desperdiçando-se, estudando pra concurso. O pior é saber que o sonho deles é "não fazer nada" depois. De fato, ainda temos um "Estado privatizado", por tantos e tantos interesses... O Estado brasileiro está longe de ser uma 'arena' em que os interesses se degladiam da forma o mais limpa possível - que é o que um Estado deve fundamentalmente ser.

Agora, há gente legal lá dentro também. E eu gostaria de dizer que eu trabalho feito uma louca, como muita gente lá. Mas, sem dúvida, o Estado brasileiro é um negócio colossal demais e que faz muito pouco do que precisava. Vai ter de diminuir. Eu mesma estou me preparando pra isso, pra cair fora eventualmente.

Quanto ao 'enlouquecimento' do Brasil, eu acho que ele começou pra valer lá no início do século XX. Perdemos o bonde, a chance, tudo, ali. Aquele interregno em que a Inglaterra deixava de ser a nação mais poderosa e os EUA surgiam com força total... Aquele foi o momento ideal, na minha opinião, pro Brasil desabrochar. O país tinha de ter tirado vantagem. Ele tinha quase tudo: capital relativamente fácil e um Estado que não era essa enormidade. Mas não tinha gente preparada em posições importantes, nem na iniciativa privada, nem na pública. Não tinha gente de visão. Isso sempre faltou ao país, com raríssimas exceções, aliás quase sempre execradas.

Pegue o Japão, por exemplo. Até o século XIX, o Japão não tinha uma "iniciativa privada" pujante, era um país sem instrução e mesmo sem cerimônias religiosas regulares. Mas tinha homens como Okubo, homens de visão, que sabiam que só por meio da educação um país vai pra frente. Por causa deles o Japão conseguiu transformar a escola em templo da virtude e da moralidade. Boa parte das aulas nas escolas era dedicada ao estudo da ética, em que se ensinava, basicamente, o valor do trabalho duro, da frugalidade, da perseverança, da disciplina, etc. etc. Claro, os japoneses já valorizavam essas coisas, mas a escola foi um catalisador. E foi só assim, por meio de uma boa escola, que o Estado japonês fabricou sua versão da ética protestante e fez todo o povo engoli-la - e pôde se orgulhar de ter sido o primeiro país fora do Eixo Europa-América do Norte a se industrializar.

Como o Brasil não é um país protestante, tinha de ter feito o mesmo (sim, eu virei uma desenvolvimentista cultural, argh!).

No entanto, não fez. Educação aqui nunca foi levada a sério. Ao invés disso, o que o Estado brasileiro fez? Fomentou o carnaval e as escolas de samba. Ou seja, nenhum governo brasileiro se importou em preparar o país pra nada.

Hoje há um movimento frágil de universalização da educação no país, que começou com o FHC. A princípio, isso é bom. Mas de que educação estamos falando? As escolas e faculdades brasileiras estão uma tristeza, criando um bando de gente preguiçosa e mimada. Professor que reprova aluno tem de se justificar! Tem de ter muito cuidado pra não 'frustrar' e 'traumatizar' o estudante - que acaba analfabeto funcional, invariavelmente.

Mas além da falta de educação (um cacoete iluminista meu é achar que o problema da humanidade é mais a ignorância do que a maldade em si), acho que nossos maravilhosos valores brasileiros nunca nos ajudaram. Nossa brasilidade é um atraso herdado do Estado Novo. Isso, somado à falta de gente preparada e criativa na iniciativa privada e, claro, à corrupção endêmica no setor público e à falta de autocrítica em geral e ao pendor autoritário.

O problema no Brasil está longe de ser só político. Mas, enfim, é só minha opinião e opinião é coisa de quem sabe pouco."
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