quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Para pensar no ano que vem II

"A maldade de nenhum ser humano é incorrigível. Pelo esforço consciente, os hábitos podem ser modificados e o caráter refinado. Pelo serviço abnegado, renúncia, devoção e oração, os velhos hábitos que atam o homem à terra podem ser descartados e novos hábitos que nos conduzem ao longo do caminho Divino podem ser instilados em nossas vidas."

Sathya Sai Baba, pensamento para o dia 30/12/2008

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Para pensar no ano que vem I

"Nosso sistema tributário é o pior do mundo num ranking de 143 países pesquisados pelo Banco Mundial, que classifica o sistema brasileiro como economicamente suicida, juridicamente caótico, politicamente ladino e socialmente perverso.

E com sua reforma sempre marcada para o Dia de São Nunca."

Joelmir Betting em 15/12/2008.

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A questão palestina e a imparcialidade da imprensa

Mais uma vez, como em todos os conflitos entre árabes e israelenses, o noticiário não tem sido imparcial e é, muitas vezes omisso, suprimindo ou falseando informações que certamente ajudariam o leitor a ter uma visão mais clara da questão o que, por sua vez, contribuiria bastante para sua solução.

Sistematicamente, por exemplo, se esconde a origem da questão palestina. O Globo, em sua edição de 29 de dezembro, chega ao ponto de falsear inteiramente os fatos ao publicar uma “cronologia dos conflitos" que abre com a seguinte afirmação: "maio de 1948: É formado o estado de Israel. Pelo menos 700 mil palestinos são expulsos de suas casas."

Nada mais falso. Omite-se que, no dia seguinte à sua fundação, Israel foi invadido por cinco exércitos árabes (Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque), que há meses pressionavam os árabes que habitavam Israel para que deixassem o país, sob pena de serem tratados como traidores do Islã depois que os árabes expulsassem os judeus. Cerca de 800 mil palestinos deixaram, sim, suas casas, sob a promessa que voltariam depois da vitória árabe. Israel, ao contrário do que se diz, tentou por todos os meios mantê-los em seu território por motivos econômicos, sociais, humanitários e estratégicos. Muitos árabes decidiram ficar e aceitar a cidadania israelense, apesar de todas as ameaças árabes.

Mas os árabes foram derrotados. Criou-se então o problema dos "refugiados árabes" que a propaganda árabe logo tratou de transformar em "palestinos", para contornar sua responsabilidade pelo destino dessa gente. Os árabes exigiam o retorno de todos, enquanto Israel reclamava, em contrapartida, o reconhecimento de seu Estado e um Tratado de Paz, condições tidas como inaceitáveis pelos árabes. A o contrário, até hoje, com exceção de Egito e Jordânia, os árabes - e agora os iranianos - clamam pela destruição de Israel e não reconhecem seu direito a existência. Nesse caso, como aceitar o retorno de potenciais inimigos para seu território - sem nenhuma garantia, afinal?

Por outro lado, Israel fora obrigado a absorver pelo menos 500 mil judeus expulsos de todos os países árabes - sem nenhuma indenização e obrigados a deixar seus bens para trás. Esses "refugiados judeus" foram acolhidos pelo jovem Estado de Israel que passou a exigir que os países árabes também acolhessem uma parte dos refugiados árabes - coisa que jamais nenhum país árabe fez: até hoje os palestinos não têm sequer passaporte. O único país que deu um tratamento minimamente humanitário aos palestinos foi a Jordânia. Como prova de sua gratidão, Arafat tentou derrubar o rei Hussein do poder, o que provocou a sangrenta expulsão dos palestinos para o Líbano, no que ficou conhecido como o "Setembro Negro".

Agora mesmo, apenas a Folha Online noticiou que o governo egípcio e o próprio presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, denunciaram o Hamas por fechar a fronteira com o Egito para impedir que feridos fossem atendidos em hospitais daquele país.

Trata-se de um fato exemplar porque mostra como os palestinos têm sido usados como massa de manobra pelos países árabes e por seus supostos líderes. Basta imaginar tudo que já foi gasto em armas ou simplesmente desviado por sucessivas dirigentes corruptos em vez de aplicado na construção de um estado palestino. Ao contrário, há 60 anos o palestino comum vive em imensas favelas – comparáveis ao Complexo do Alemão, no Rio – dominadas por violentas facções criminosas que, sob o pretexto político-ideológico – os mantém sob um regime de terror permanente e intensa propaganda belicosa, enquanto seus primos ricos se refastelam em banheiras literalmente de ouro.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Doce de banana com tangerina

Ingredientes
Três bananas prata bem maduras, daquelas q vc já pensa em jogar fora.
O suco de uma tangerina.
Mais ou menos duas colheres de lascas bem finas da casca da tangerina.
Duas colheres de açúcar mascavo.
Um punhado de passas.
Um pedaço de canela.
Canela em pó a gosto.

Modo de fazer
Numa panela com água, vá dissolvendo em fogo baixo o açúçar mascavo até virar uma calda. Junte as bananas, o pedaço de canela e vá mexendo. Quando começar a ferver ou algo assim, vá juntando o suco da tangerina, as lasquinas de casca, a canela em pó e deixe ir ganhando cor. Se a coisa começar a borbulhar demais, vá colocando um pouco de água para não queimar ou ficar com aquela aparência de "últimos dias de Pompéia". Não deixe grudar no fundo e use sempre o fogo bem baixo. Quando parecer quase bom, junte as passas. Deixe cozinhar um pouco mais e pronto.

Em caso de dúvida, ligue para sua mãe, para sua tia ou, em último caso, para sua ex-sogra.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Estado como modelo

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domingo, 28 de dezembro de 2008

Dar presente

Redescobri neste Natal a volúpia de dar presentes. O que era uma simples obrigação revelou-se um prazer. O chato era eu e agora até da expressão eu gosto: dar presente. Aliás, como seria bom poder levá-la ao pé da letra e dar de fato a alguém um presente - novo, outro. Ah! Mas isso só mesmo os amantes podem se dar.

Aos amigos e parentes, aos queridos de todos os graus e matizes, o que podemos dar atende melhor pelo nome de presença. Porque todo presente quer dizer uma coisa muito simples: "Lembrei de você". Mas também significa: "Quero ser lembrado por você". Se a lembrança é a forma humana da eternidade, o presente é a versão humana da onipresença: eu serei presença em cada lugar onde haja um presente meu carinhosamente guardado. E, se cada um dos presenteados me devolver um ocasional pensamento de gratidão a cada vez que olhar o presente, será como uma espécie de oração em meu favor junto aos anjos que regem os céus e protegem os bons, todos os bons, até aqueles que não acreditam em anjos. E como sabem que somos bons? Acredito que exatamente pela quantidade de gente que nos é grata. Não sei, mas me parece um critério justo. E se for assim, é preciso atenção: um mendigo que ganhe uma moeda pode ser mais grato que um rico que ganhe uma gravata de seda. Mas também não devemos esquecer que há ricos generosos e mendigos ingratos.

A fórmula para que nos sejam gratos pelos presentes que damos é simples: dar livros para os que lêem; chinelos para os que caminham; bijuterias para as moças; objetos de casa para as senhoras; brinquedos para as crianças. E por aí vai...

Assim, acertei até no presente que comprei para mim: um peso de papel de vidro transparente, cheio de bolhas de ar de variados tamanhos por dentro e uma nuvem azul no fundo. Arredondado, ele se encaixa elegantemente na minha mão. Olhando agora, enquanto escrevo, para ver se a descrição confere minimamente com o objeto, me dou conta que talvez não seja de vidro, mas de alguma espécie de resina. Não sei, mas é tão bonito... Eu o giro e as bolhas de ar parecem se mover como uma espécie de caleidoscópio, um modelo do universo, um pedaço de tempo congelado, uma bola de cristal onde tento ver o futuro...

Mas tudo que enxergo sobre isso de presentes e presenças é a ironia súbita de pensar que às vezes a única forma de se dar um presente novo a quem se ama é presenteá-la com a nossa ausência - pois até a falta pode tornar-se generosa.

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Os idiotas

O que mais me aborrece no jornalismo é a tendência à "socialização da responsabilidade" que é o outro nome da "vitimização dos culpados". Vejam o caso dos soldados e voluntários flagrados furtando doações enviadas aos flagelados das chuvas de Santa Catarina. Imediatamente aparecem idiotas de todos os matizes para responsabilizar "os políticos e empresários", "nossa herança cultural", "os brasileiros", "a falta de cultura" e por aí vai. Sem contar, claro, "o capitalismo", "o neoliberalismo", "a falta de ética e cidadania", "a cultura judaico-cristã", "o aquecimento global", "a ressonância de Schumann", "a surdez de Beethoven", "a cegueira do Bush".

Impressionante que, entre todos os "especialistas" ouvidos - professores de ética, filósofos, historiadores, psicólogos, sociólogos, antropófagos e canibais - a ninguém tenha ocorrido responsabilizar... os responsáveis! Sim, os responsáveis.

Como sempre, peguei o bonde andando, e tive dificuldade de achar no jornal do dia seguinte os nomes de ao menos alguns dos responsáveis ou mesmo uma foto deles. Ou seja: até os jornais já tinham se desinteressado pelos indivíduos que afinal tinham praticado os furtos e se deliciavam procurando as responsabilidades históricas, genéticas, espíritas, ideológicas, partidárias.

Enfim, no universo mental – aparentemente dominante - a responsabilidade individual - aquela nominal, pessoal e intransferível - foi abolida. E íor: encantados em descobrir raízes tão claras e profundas, muitos leitores repetem a cantilena sem perceber que esse argumento retira do individuo - isto é, dele leitor! - o domínio sobre seu próprio destino. Esses argumentos mal ocultam seu objetivo: preparar o terreno para o Novo Homem - o velho projeto totalitário de Lênin, Hitler e de todos os tiranos sanguinários que os precederam e sucederão.

Mas o que torna o idiota idiota é exatamente essa dificuldade em perceber o óbvio, maravilhado que está em encontrar uma explicação tão fácil e aconchegante. Nada mais delicioso para um idiota do que o calor da manada. Não é à toa que os concursos públicos se tornaram provas de catecismo ideológico. "A quem eu devo odiar para conseguir uma boquinha no Estado?" - é a síntese de boa parte de concursos públicos, teses de mestrado e doutorado, dissertações, palestras, projetos, etc.

A estupidez dessa "socialização da responsabilidade" é que os idiotas não a estendem ao que consideram positivo. Sim, a que atribuir os galpões lotados de doações? Aos "brasileiros"? A nossa "herança cultural"? A "má qualidade do ensino"? Dessa maneira é fácil perceber a fraqueza obtusa do argumento, não?

Mas por que se escolhe essa via? Acho que em parte porque a simples e objetiva responsabilização dos indivíduos não dá margem ao drama fácil e intenso a que os idiotas estão viciados. Eles querem dramas - dramas apocalípticos: civilizaçãoes em ruínas, choques ideológicos, majestosos simbolismos revelados por sua mente arguta. A emergência do Novo Homem pede esse “drama da decadência” que faz de cada gesto um símbolo e um sinal dos Novos Tempos e abre a todo tipo de violência reformadora. Não é á toa que se diz que de bem-intencionados o Inferno está cheio – e os governos também.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

A gota d´água



Uma minúscula gota d'água pende no ar, vacilante entre a gravidade que a atrai para baixo e não sei que outra força que a agarra à torneira. Eu a assisto e, por segundos que vão se tornando infindáveis, ela permanece assim, suspensa no silêncio da manhã incerta e cinza.

Quase não se vê que ela se avoluma lentamente, prenúncio do que será a vitória da gravidade: é inevitável que ela venha a se estatelar em breve contra a louça fria. Mas ela resiste, comovente e plástica. Sem pressa, vai desenhando-se a perfeição que será sua ruína: tomando a forma clássica de uma gota, máxima representação de si mesma, ela então deixará de ser, alçando-se num vôo descendente e vertical até o fim.

Torço por você, gotinha solitária. Admiro a força que faz você durar, indiferente aos meus olhos cativos, tão ciosa do seu destino de ser gota, a melhor e mais perfeita gota que um pedaço de água pode desejar ser e apenas para si mesma. Haverá - mesmo em você, até em você - uma lição? Claro - e ela é tão óbvia.
Mas agora nem é disso que se trata. Imóvel, meu coração na mão, uma quase lágrima também me aquece o olhar atento e amoroso. Torço por você, sem nem mesmo saber o que desejar. Que dure? Mas se tudo neste mundo está fadado ao fim...

Um caminhão passa longínquo e veloz e faz vibrar o prédio. Humilde e heróica, a gota treme ligeiramente e cresce, grávida de si mesma. Mas não cai: acomoda-se por dentro e se mantém no ar. E assim, resistindo, amadurece, dona de si.

Quisera poder guardá-la ou de algum modo preservá-la, tão vaidoso sou. Porque me doerá perdê-la. Mas ela, como tudo mais, não me pertence. Sim, a exceção do meu corpo e do meu silêncio, nada mais me pertence - nem as palavras, nem o amor que você me tem.

Só - como essa gota que talvez nem sequer resista exatamente, mas apenas se conforme em ser o melhor que pode na manhã anônima. Temos, eu e a gota, a sorte de uns olhos que nos assistem: eu, os seus, leitor; ela, os meus. Nada mais se deve esperar da vida.

Finalmente, num piscar de olhos, a nobre gota se descola da torneira e se arroja no vazio - no que talvez seja para ela um vôo. Nem sequer consegui vê-la dissolver-se na pia e escorrer em pedaços, mas eu todo tremo por dentro de saber que jamais voltarei a vê-la nem outra haverá igual.

Levanto-me e vou fazer seguir a vida, como tudo mais. Só. A lágrima que em mim resistia se dissolve sem dor nos abismos que me habitam.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

99 Balões - Querido Eliot

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domingo, 7 de dezembro de 2008

Soltem Caroline! - A petição

Resolvi postar em separado a petição que criei para recolher assinturas para soltar a menina pichadora lá de São Paulo (leia o post abaixo).

Clique aqui e vá direto para a petição.
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Soltem Caroline!

Caroline Piveta da Mota está presa desde o dia 26 de outubro, quando foi flagrada pichando uma parede branca de um prédio público no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde os curadores da Bienal, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, combinaram ver um "patrimônio cultural".

Em 1917, Marcel Duchamp resolveu testar o presumido vanguardismo da Sociedade dos Artistas Independentes, de que ele mesmo fazia parte. Fundada um ano antes em Nova York, a sociedade preparava sua segunda exposição de "arte moderna" e se proclamava aberta a todas as tendências.

Conta a lenda que, ao passar pela vitrine de uma loja de material de construção, Duchamp viu na vitrine um desses mictórios de banheiro público masculino e ali mesmo teve uma idéia simples: virou o mictório de cabeça para baixo e, no topo tornado base, assinou sob pseudônimo e datou: "R. Mutt, 1917". Entitulou a peça de Fountain (Fonte) e a enviou para a tal sociedade que, depois de muita discussão, decidiu rejeitar a participação dela na exposição daquele ano - sem saber, claro, quem era seu verdadeiro criador. Duchamp então se retirou da associação, denunciando sua caretice bocó.

Fountain tornou-se um ícone da arte contemporânea e, não fosse ela, nem mais saberíamos da existência da tal Sociedade dos Artistas Independentes de Nova York.

Talvez Caroline nem saiba quem é Marcel Duchamp. Não importa muito. Mas os curadores da Bienal, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, certamente sabem. Sua parede branca é uma espécie de longínqua sobrinha-tataraneta de Duchamp. Acontece que usar uma parede branca para "representar o vazio", como disseram pretender Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, a esta altura do campeonato, é de provincianismo pra lá de jeca.

E, com "a natureza abomina o vazio", onde Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen viam uma parede branca, a garotada pichadora viu uma parede em branco. E resolveu usá-la para expor sua arte. Quem quiser discutir se é arte ou não deve buscar um contato com os falecidos curadores da tal exposição da Sociedade dos Artistas Independentes. E façam a gentileza de convidar Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, eles se sentirão muito a vontade entre seus pares. Mas desconfio que Duchamp teria achado muito divertida a intervenção dos pichadores.

Se Caroline tivesse pichado o muro da casa de Ivo Mesquita, o prédio de Ana Paula Cohen, pintado bigodes nos bandeirantes de Brecheret, atacado alguma obra exposta na Bienal seria um ato de vandalismo. Até as pichações do lado de fora do prédio da Bienal também pode ser enquadradas assim.

Mas pichar a parede em branco da Bienal foi um "ato estético" legítimo, sancionado por quase cem anos de uma arte que a Bienal pretende representar. Maluquice mesmo é chamar parede em branco de "patrimônio cultural".

O que a garotada disse para Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen é que não há vazio, nem mesmo falta de espaço. Longe de representar o vazio, a parede em branco de Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen era, sem querer, uma representação da cegueira.

Então por isso, vou fazer desta crônica uma petição online sob o título SOLTEM CAROLINE!

O endereço é (http://www.ipetitions.com/petition/freecaroline).

Quem quiser, pode passar por lá e assinar.

É um ridículo absurdo essa moça estar presa por uma espécie de "atentado artístico" contra uma parede em branco.
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