segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Tropa de elite

Filmaço!

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sábado, 29 de dezembro de 2007

A alma e o mar

Ser homem é já ter sido tudo. Essa vasta alma que habito abarca o infinito e nada que neste e em outros mundos viva pode me parecer estranho. Por isso, por tudo que existo, estou condenado ao amor. Porque na vasta alma que habito há o cão, o gato, a pedra, o mar, a árvore, o pássaro, a flor, a fruta, o céu, o chão; o homem e a mulher, o velho e a criança, o louco e o são; há a dor e a alegria, a paz e o sofrimento. "Sim, há de tudo na vasta alma que habito.", eu repito para mim como um aviso que me mantém alerta e imune a todo desalento.

Sentado na areia à beira do mar, assisto com compaixão e encantamento a passagem lenta e distraída desses outros que sem saber são parte da minha alma. Vim dar um mergulho rápido, no intervalo entre os poucos afazeres de uma semana quase vazia, espremida entre dois feriados que marcam o fim de um ano e o começo de outro. Vim dar um mergulho, mas o mar não faz jus ao dia: bate violento, insuflado por correntes e ventos que não sei muito bem de onde vêm. Fico sentado tentando ler o mar. Observo o ritmo das ondas, a forma como elas quebram, para me decidir se valerá a pena ao menos um mergulho. Não era esse o mar que eu esperava. Hoje não há força nem coragem no meu corpo para atravessar a rebentação e lá me abandonar, entregue.

Mas minha alma também se reconhece nesse mar bravio e traiçoeiro, em outros dias tão manso e límpido. Não me é estranho esse mar imprevisível e inconstante. Ao contrário, tudo parece dele ter herdado a plasticidade de ser tantos sem nunca deixar de ser o mar.

De tanto perscrutar desisto do mergulho: o mar hoje não me é espelho. Aproveito então o sol, o coco e a água doce que jorra farta dos chuveiros que os barraqueiros instalam para atrair clientes. Tenho de ir escrever esta crônica que foi se desenhando devagar na minha mente enquanto eu imóvel e anônimo como uma sombra apenas olhava o movimento.

Tenho de ir. Um novo ano nos espera e já terá começado quando teus olhos passearem por aqui, leitor, por esta praia que também habita a tua alma tão vasta quanto a minha.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Sobre a crônica da semana

Bobinha, bobinha... Bobíssima! De tão contente e amorosa. Um presente de Natal. Imenso e abstrato quadro que desenho para uns olhos. Uma fotografia de lambe-lambe...

Bom, e não tem nada mais carioca do que distinguir dois amores complementares e simétricos - o amor-praia e o amor-praça. Confesso, vaidoso: gostei disso. Amor tem que ter praia e praça. Tem de ser praia e praça... Por uma geografia do amor. Fazer mapas amorosos como se fazem mapas astrológicos e mapas de metrô. A cidade imaginária onde mora o meu amor. Aqui a praça, ali praia, mais adianta a casa, as ruas... Rua da Aurora, Rua do Silêncio, Praça da Felicidade, Praia do Amor... Enfim, a cidade imaginária e singular que os amantes se constróem e onde vivem sua história, eterna história, na paisagem do tempo. Todo amor tem sua geografia, cada amor é um mapa. E os mapas do amor vão construindo primeiro cidades, depois países.

"Meu mundo é o mundo, meu mundo envolve o mundo, meu mundo está no mundo."

Imagine que esses são os eixos do mundo e que de súbito você toma consciência deles, você os vê como alguém que conhece o desenho dos astros vê o céu não como caos, mas como cosmos. Isso é o êxtase, o máximo momento desse geografia, desse esforço cartográfico.
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Desaforismos

"O sinal mais certo de que existe vida inteligente em outros lugares do universo é que nenhuma tentou entrar em contato conosco."
Bill Watterson
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domingo, 23 de dezembro de 2007

Comentários sobre cinema

Acabo de ver "O aviador", um Scorsese menor, mas ainda assim um Scorsese. Não deve ter escapado a ninguém as óbvias citações a "Cidadão Kane", o mais conhecido filme de Orson Welles, mas não o melhor: eu prefiro "A marca da maldade". Em vez de um peso de papel, a saboneteira. O uso dos cinejornais como elementos da narrativa. Depois escrevo mais. Agora vou rever "O show de Truman".

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sábado, 22 de dezembro de 2007

Presente de Natal

Eu vou pensando no que dar a você de Natal enquanto caminhamos pela rua lado a lado, meu braço sonso brincando de roçar o seu só para sentir me eletrizarem os pelos. Quanto poder temos um sobre o outro - e o duplo sentido da frase só a torna mais exata.

Vamos em silêncio satisfeito, mas uma dor improvisada jaz lá no fundo do meu peito. O que te dar de presente? Lágrimas, versos, gozos - tudo isso eu já dei. O que mais posso dar? Eu finjo não saber, enquanto brinco de roçar meu braço no seu sem que você perceba, assim vestida dessa alegria distraída que lhe cai tão bem.

Tanta coisa eu queria te dar, tanta coisa... Algumas são mesmo impublicáveis: umas porque são quase obscenas, outras de tão ingênuas. Coisas tão práticas como um vestido verde musgo; coisas tão supérfluas quanto uma luneta... Você seria a única mulher que eu conheço a possuir uma luneta! E nenhuma outra fica melhor do que você de verde-musgo...

Algo nos une, algo mais do que essas formiguinhas que saltam invisíveis de você para mim e me percorrem velozes antes de voltar para você, num círculo que nos mantém delicadamente imantados. Somos dois, somos um e nada que venha do mundo pode nos ferir.

Eu sei muito bem o que quero dar a você: meu amor em forma de praça. Meu amor em forma de praia você já tem. Mas ao meu amor já não lhe basta ser uma praia deserta e bruta que a brisa acre do mar amansa à sombra de umas amendoeiras. Meu amor agora quer ser praça! Uma praça imensa, cercada de árvores altas, onde bem no centro exulta um chafariz incessante. Ao fundo, voltada para o nascente, há uma igreja só porque você também fica bonita de branco e não existe nada mais parecido com um chafariz do que uma noiva de véu e grinalda. Do outro lado, há um cinema. Há barraquinhas de flores nessa praça, um pipoqueiro, algodão doce e um anacrônico lambe-lambe para registrar nossos momentos mais felizes.

Sim, quero um amor de onde a gente possa assistir o mundo, anônimos e felizes, depois da praia. Uma praça onde aconchegar para sempre nossos velhos e crianças. Pra sempre, eu disse - e tomei um choque no seu braço...

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Carta aberta

Para o Secretário-geral das Nações Unidas Ban Kin Moon
Com cópias para os Chefes de Estado dos países signatários

13 de Dezembro de 2007

A respeito da Conferência climática da ONU [Bali]

É impossível deter as alterações climáticas, um fenómeno natural que tem afectado a humanidade através dos tempos. Os testemunhos históricos, geológicos, arqueológicos, orais e escritos provam todos os desafios fundamentais que as sociedades antigas tiveram de enfrentar perante alterações imprevistas de temperatura, de precipitação, de vento e de outras variáveis climáticas. Devemos consequentemente preparar as nações para resistir a todos estes fenómenos naturais promovendo o crescimento económico e a criação de riqueza.

O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) tem publicado conclusões cada vez mais alarmistas sobre a influência climática do CO2 de origem humana, um gás não poluente que é essencial à fotossíntese das plantas. Embora compreendamos os argumentos que levaram a considerar as emissões de CO2 como perigosas, as conclusões do IPCC são absolutamente injustificadas e não devem conduzir a políticas que vão reduzir significativamente a prosperidade futura. Em especial, não foi estabelecido que seria possível modificar significativamente o clima global reduzindo as emissões humanas de gases com efeito de estufa. Acima de tudo, porque as tentativas de reduzir emissões vão retardar o desenvolvimento, a abordagem actual da ONU sobre a redução do CO2 é susceptível de agravar o sofrimento humano devido às alterações climáticas futuras em vez de o reduzir.

O Resumo para os Decisores Políticos do IPCC é o documento mais consultado pelos políticos e pelos não-cientistas e está na base da maior parte das decisões políticas sobre as alterações climáticas. Contudo, este resumo é preparado por um núcleo relativamente restrito de redactores e a sua versão final é aprovada linha a linha por representantes dos governos. A grande maioria dos contribuintes e revisores do relatório [geral do IPCC] e das dezenas de milhares doutros cientistas qualificados que comentam sobre esta matéria não estão implicados na preparação deste documento [do Resumo]. O Resumo não pode por conseguinte ser considerado como representativo de um consenso de especialistas.

Contrariamente à impressão dada pelo Resumo para os Decisores Políticos, do IPCC:

· As observações recentes dos fenómenos como a retracção dos glaciares, o aumento do nível do mar e a migração das espécies não testemunham uma alteração climática anormal porque nenhuma destas alterações está para além dos limites da variabilidade natural que conhecemos.
· O ritmo médio de aquecimento de 0,1 ºC/década a 0,2 ºC/década registado pelos satélites nas últimas décadas do século XX está dentro dos limites de aquecimento e de arrefecimento observado nos últimos 10 mil anos.
· Cientistas de primeiro plano, incluindo representantes importantes do IPCC, reconhecem que os modelos informáticos actuais não podem prever o clima. Assim, e apesar das projecções dos computadores de um aumento de temperatura, não tem havido aquecimento global desde 1998. O patamar de temperatura actual que se seguiu a um período de aquecimento no final do século XX está de acordo com ciclos naturais multidecenais ou milenários.
· Exactamente oposto à afirmação frequentemente repetida que na ciência do clima “terminou o debate”, um número importante de novas publicações em revistas com revisão pelos pares coloca cada vez mais em dúvida a hipótese de um aquecimento perigoso de origem humana. Mas como os grupos de trabalho do IPCC tiveram instruções para examinar as publicações [somente] até Maio de 2005 (cf. instruções IPCC) as posteriores conclusões importantes não estão incluídas no seu relatório; o que quer dizer que os relatórios de avaliação do IPCC são baseados em resultados já obsoletos.

A conferência sobre o clima de Bali foi destinada a conduzir o Mundo pelo caminho de uma restrição severa de CO2, ignorando as lições evidentes que se podem tirar do malogro do Protocolo de Quioto, o caos no mercado de transferências de CO2 estabelecido pela Europa e a ineficácia de outras iniciativas dispendiosas destinadas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Análises custo-benefício objectivas desacreditam a introdução de medidas globais destinadas a limitar e a reduzir o consumo de energia para reduzir as emissões de CO2. Além disso, é irracional aplicar o “princípio da precaução” porque numerosos cientistas reconhecem que um arrefecimento ou um aquecimento são ambos procedentes e realistas para o clima a médio prazo.

O esforço actual da ONU para “combater as alterações climáticas”, como é apresentado no Relatório sobre o Desenvolvimento Humano do Programa de Desenvolvimento da ONU, de 27 de Novembro de 2007, desvia a atenção dos governos para a ameaça de alterações climáticas inevitáveis sob as suas diferentes formas. É necessária a planificação nacional e internacional perante tais mudanças, ajudando prioritariamente os cidadãos mais vulneráveis a adaptar-se às condições futuras. Tentar impedir o clima de se alterar é fútil e constitui uma má e trágica aplicação de recursos que seriam bem melhor utilizados para resolver os problemas verdadeiros e mais prementes.

Lista de signatários:

- Don Aitkin, PhD, Professor, social scientist, retired vice-chancellor and president, University of Canberra, Australia
- William J.R. Alexander, PhD, Professor Emeritus, Dept. of Civil and Biosystems Engineering, University of Pretoria, South Africa; Member, UN Scientific and Technical Committee on Natural Disasters, 1994-2000
- Bjarne Andresen, PhD, physicist, Professor, The Niels Bohr Institute, University of Copenhagen, Denmark
- Geoff L. Austin, PhD, FNZIP, FRSNZ, Professor, Dept. of Physics, University of Auckland, New Zealand
- Timothy F. Ball, PhD, environmental consultant, former climatology professor, University of Winnipeg
- Ernst-Georg Beck, Dipl. Biol., Biologist, Merian-Schule Freiburg, Germany
- Sonja A. Boehmer-Christiansen, PhD, Reader, Dept. of Geography, Hull University, U.K.; Editor, Energy & Environment journal
- Chris C. Borel, PhD, remote sensing scientist, U.S.
- Reid A. Bryson, PhD, DSc, DEngr, UNE P. Global 500 Laureate; Senior Scientist, Center for Climatic Research; Emeritus Professor of Meteorology, of Geography, and of Environmental Studies, University of Wisconsin
- Dan Carruthers, M.Sc., wildlife biology consultant specializing in animal ecology in Arctic and Subarctic regions, Alberta
- R.M. Carter, PhD, Professor, Marine Geophysical Laboratory, James Cook University, Townsville, Australia
- Ian D. Clark, PhD, Professor, isotope hydrogeology and paleoclimatology, Dept. of Earth Sciences, University of Ottawa
- Richard S. Courtney, PhD, climate and atmospheric science consultant, IPCC expert reviewer, U.K.
- Willem de Lange, PhD, Dept. of Earth and Ocean Sciences, School of Science and Engineering, Waikato University, New Zealand
- David Deming, PhD (Geophysics), Associate Professor, College of Arts and Sciences, University of Oklahoma
- Freeman J. Dyson, PhD, Emeritus Professor of Physics, Institute for Advanced Studies, Princeton, N.J.
- Don J. Easterbrook, PhD, Emeritus Professor of Geology, Western Washington University
- Lance Endersbee, Emeritus Professor, former dean of Engineering and Pro-Vice Chancellor of Monasy University, Australia
- Hans Erren, Doctorandus, geophysicist and climate specialist, Sittard, The Netherlands
- Robert H. Essenhigh, PhD, E.G. Bailey Professor of Energy Conversion, Dept. of Mechanical Engineering, The Ohio State University
- Christopher Essex, PhD, Professor of Applied Mathematics and Associate Director of the Program in Theoretical Physics, University of Western Ontario
- David Evans, PhD, mathematician, carbon accountant, computer and electrical engineer and head of 'Science Speak,' Australia
- William Evans, PhD, editor, American Midland Naturalist; Dept. of Biological Sciences, University of Notre Dame
- Stewart Franks, PhD, Professor, Hydroclimatologist, University of Newcastle, Australia
- R. W. Gauldie, PhD, Research Professor, Hawai'i Institute of Geophysics and Planetology, School of Ocean Earth Sciences and Technology, University of Hawai'i at Manoa
- Lee C. Gerhard, PhD, Senior Scientist Emeritus, University of Kansas; former director and state geologist, Kansas Geological Survey
- Gerhard Gerlich, Professor for Mathematical and Theoretical Physics, Institut für Mathematische Physik der TU Braunschweig, Germany
- Albrecht Glatzle, PhD, sc.agr., Agro-Biologist and Gerente ejecutivo, INTTAS, Paraguay
- Fred Goldberg, PhD, Adjunct Professor, Royal Institute of Technology, Mechanical Engineering, Stockholm, Sweden
- Vincent Gray, PhD, expert reviewer for the IPCC and author of The Greenhouse Delusion: A Critique of Climate Change 2001, Wellington, New Zealand
- William M. Gray, Professor Emeritus, Dept. of Atmospheric Science, Colorado State University and Head of the Tropical Meteorology Project
- Howard Hayden, PhD, Emeritus Professor of Physics, University of Connecticut
- Louis Hissink MSc, M.A.I.G., editor, AIG News, and consulting geologist, Perth, Western Australia
- Craig D. Idso, PhD, Chairman, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, Arizona
- Sherwood B. Idso, PhD, President, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, AZ, USA
- Andrei Illarionov, PhD, Senior Fellow, Center for Global Liberty and Prosperity; founder and director of the Institute of Economic Analysis
- Zbigniew Jaworowski, PhD, physicist, Chairman - Scientific Council of Central Laboratory for Radiological Protection, Warsaw, Poland
- Jon Jenkins, PhD, MD, computer modelling - virology, NSW, Australia
- Wibjorn Karlen, PhD, Emeritus Professor, Dept. of Physical Geography and Quaternary Geology, Stockholm University, Sweden
- Olavi Kärner, Ph.D., Research Associate, Dept. of Atmospheric Physics, Institute of Astrophysics and Atmospheric Physics, Toravere, Estonia
- Joel M. Kauffman, PhD, Emeritus Professor of Chemistry, University of the Sciences in Philadelphia
- David Kear, PhD, FRSNZ, CMG, geologist, former Director-General of NZ Dept. of Scientific & Industrial Research, New Zealand
- Madhav Khandekar, PhD, former research scientist, Environment Canada; editor, Climate Research (2003-05); editorial board member, Natural Hazards; IPCC expert reviewer 2007
- William Kininmonth M.Sc., M.Admin., former head of Australia's National Climate Centre and a consultant to the World Meteorological Organization's Commission for Climatology
- Jan J.H. Kop, MSc Ceng FICE (Civil Engineer Fellow of the Institution of Civil Engineers), Emeritus Prof. of Public Health Engineering, Technical University Delft, The Netherlands
- Prof. R.W.J. Kouffeld, Emeritus Professor, Energy Conversion, Delft University of Technology, The Netherlands
- Salomon Kroonenberg, PhD, Professor, Dept. of Geotechnology, Delft University of Technology, The Netherlands
- Hans H.J. Labohm, PhD, economist, former advisor to the executive board, Clingendael Institute (The Netherlands Institute of International Relations), The Netherlands
- The Rt. Hon. Lord Lawson of Blaby, economist; Chairman of the Central Europe Trust; former Chancellor of the Exchequer, U.K.
- Douglas Leahey, PhD, meteorologist and air-quality consultant, Calgary
- David R. Legates, PhD, Director, Center for Climatic Research, University of Delaware
- Marcel Leroux, PhD, Professor Emeritus of Climatology, University of Lyon, France; former director of Laboratory of Climatology, Risks and Environment, CNRS
- Bryan Leyland, International Climate Science Coalition, consultant and power engineer, Auckland, New Zealand
- William Lindqvist, PhD, independent consulting geologist, Calif.
- Richard S. Lindzen, PhD, Alfred P. Sloan Professor of Meteorology, Dept. of Earth, Atmospheric and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology
- A.J. Tom van Loon, PhD, Professor of Geology (Quaternary Geology), Adam Mickiewicz University, Poznan, Poland; former President of the European Association of Science Editors
- Anthony R. Lupo, PhD, Associate Professor of Atmospheric Science, Dept. of Soil, Environmental, and Atmospheric Science, University of Missouri-Columbia
- Richard Mackey, PhD, Statistician, Australia
- Horst Malberg, PhD, Professor for Meteorology and Climatology, Institut für Meteorologie, Berlin, Germany
- John Maunder, PhD, Climatologist, former President of the Commission for Climatology of the World Meteorological Organization (89-97), New Zealand
- Alister McFarquhar, PhD, international economy, Downing College, Cambridge, U.K.
- Ross McKitrick, PhD, Associate Professor, Dept. of Economics, University of Guelph
- John McLean, PhD, climate data analyst, computer scientist, Australia
- Owen McShane, PhD, economist, head of the International Climate Science Coalition; Director, Centre for Resource Management Studies, New Zealand
- Fred Michel, PhD, Director, Institute of Environmental Sciences and Associate Professor of Earth Sciences, Carleton University
- Frank Milne, PhD, Professor, Dept. of Economics, Queen's University
- Asmunn Moene, PhD, former head of the Forecasting Centre, Meteorological Institute, Norway
- Alan Moran, PhD, Energy Economist, Director of the IPA's Deregulation Unit, Australia
- Nils-Axel Morner, PhD, Emeritus Professor of Paleogeophysics & Geodynamics, Stockholm University, Sweden
- Lubos Motl, PhD, Physicist, former Harvard string theorist, Charles University, Prague, Czech Republic
- John Nicol, PhD, Professor Emeritus of Physics, James Cook University, Australia
- David Nowell, M.Sc., Fellow of the Royal Meteorological Society, former chairman of the NATO Meteorological Group, Ottawa
- James J. O'Brien, PhD, Professor Emeritus, Meteorology and Oceanography, Florida State University
- Cliff Ollier, PhD, Professor Emeritus (Geology), Research Fellow, University of Western Australia
- Garth W. Paltridge, PhD, atmospheric physicist, Emeritus Professor and former Director of the Institute of Antarctic and Southern Ocean Studies, University of Tasmania, Australia
- R. Timothy Patterson, PhD, Professor, Dept. of Earth Sciences (paleoclimatology), Carleton University
- Al Pekarek, PhD, Associate Professor of Geology, Earth and Atmospheric Sciences Dept., St. Cloud State University, Minnesota
- Ian Plimer, PhD, Professor of Geology, School of Earth and Environmental Sciences, University of Adelaide and Emeritus Professor of Earth Sciences, University of Melbourne, Australia
- Brian Pratt, PhD, Professor of Geology, Sedimentology, University of Saskatchewan
- Harry N.A. Priem, PhD, Emeritus Professor of Planetary Geology and Isotope Geophysics, Utrecht University; former director of the Netherlands Institute for Isotope Geosciences
- Alex Robson, PhD, Economics, Australian National University Colonel F.P.M. Rombouts, Branch Chief - Safety, Quality and Environment, Royal Netherland Air Force
- R.G. Roper, PhD, Professor Emeritus of Atmospheric Sciences, School of Earth and Atmospheric Sciences, Georgia Institute of Technology
- Arthur Rorsch, PhD, Emeritus Professor, Molecular Genetics, Leiden University, The Netherlands
- Rob Scagel, M.Sc., forest microclimate specialist, principal consultant, Pacific Phytometric Consultants, B.C.
- Tom V. Segalstad, PhD, (Geology/Geochemistry), Head of the Geological Museum and Associate Professor of Resource and Environmental Geology, University of Oslo, Norway
- Gary D. Sharp, PhD, Center for Climate/Ocean Resources Study, Salinas, CA
- S. Fred Singer, PhD, Professor Emeritus of Environmental Sciences, University of Virginia and former director Weather Satellite Service
- L. Graham Smith, PhD, Associate Professor, Dept. of Geography, University of Western Ontario
- Roy W. Spencer, PhD, climatologist, Principal Research Scientist, Earth System Science Center, The University of Alabama, Huntsville
- Peter Stilbs, TeknD, Professor of Physical Chemistry, Research Leader, School of Chemical Science and Engineering, KTH (Royal Institute of Technology), Stockholm, Sweden
- Hendrik Tennekes, PhD, former director of research, Royal Netherlands Meteorological Institute
- Dick Thoenes, PhD, Emeritus Professor of Chemical Engineering, Eindhoven University of Technology, The Netherlands
- Brian G Valentine, PhD, PE (Chem.), Technology Manager - Industrial Energy Efficiency, Adjunct Associate Professor of Engineering Science, University of Maryland at College Park; Dept of Energy, Washington, DC
- Gerrit J. van der Lingen, PhD, geologist and paleoclimatologist, climate change consultant, Geoscience Research and Investigations, New Zealand
- Len Walker, PhD, Power Engineering, Australia
- Edward J. Wegman, PhD, Department of Computational and Data Sciences, George Mason University, Virginia
- Stephan Wilksch, PhD, Professor for Innovation and Technology Management, Production Management and Logistics, University of Technolgy and Economics Berlin, Germany
- Boris Winterhalter, PhD, senior marine researcher (retired), Geological Survey of Finland, former professor in marine geology, University of Helsinki, Finland
- David E. Wojick, PhD, P.Eng., energy consultant, Virginia
- Raphael Wust, PhD, Lecturer, Marine Geology/Sedimentology, James Cook University, Australia
- A. Zichichi, PhD, President of the World Federation of Scientists, Geneva, Switzerland; Emeritus Professor of Advanced Physics, University of Bologna, Italy.

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domingo, 16 de dezembro de 2007

Queridões

A primeira pessoa a me chamar de "queridão" foi o chaveiro da esquina há mais de um ano. De cara, o termo ainda era tão estranho que eu, no meu passo apressado e carregado de compras, entendi "bonitão". Ora, se nem o Gianechinni deve gostar de ser chamado de "bonitão", eu menos ainda. Não adianta: por mais bonachona que seja a figura do chaveiro, o termo "bonitão" sempre soará carregado de inveja e ironia. Por isso foi até com certo alívio que da vez seguinte entendi claramente ele me chamar de "queridão". Achei o máximo! Além da novidade, havia também a oferta desse gostar simples e superficial, sem razão ou pretensão que é muito melhor que a admiração ambígua de um "bonitão" dito entre dentes.

Depois, fui ouvindo o termo se repetir aqui e ali, nas bocas mais díspares e inusitadas, sem ainda me dar conta que se tratava de um modismo. Minha alma de cachorro - ou o lado cachorro da minha alma vasta - recusava-se a perceber o óbvio em troca da confortável ilusão de que "queridão" era eu e ninguém mais!

Só quando o termo reapareceu na boca de uma amiga é que despertei do meu delírio distraído. Acho que uma das qualidades que define o chic é esse poder de descobrir a graça que existe no fugaz. Ou de lhe acrescentar uma elegância que antes não possuía e que o faz durar além da previsão mais benevolente. Dito por minha amiga, "queridão" soava quase como um título de nobreza, criado especialmente para agraciar uma nova categoria de ser.

O aspecto canino da minha alma, jamais disposto a largar o osso da ilusão, deu-se por satisfeito: a sonhada exclusividade se perdera para logo ser recuperada com vantagem pela ilusão mais alta de fazer parte da nobre estirpe dos queridões!

E como essa minha amiga é uma queridíssima queridona logo concluí que é uma prerrogativa dos queridões descobrirem outros queridões para lhes outorgar o título. Não se trata, portanto, de mera gíria, mas do exercício de nobilíssimo direito iniciatório! Assim, muito me anima ver o termo se espalhando por aí como uma praga. Creio caninamente que se trata de uma prova inequívoca de que os homens são melhores do que a imprensa e os acadêmicos tentam nos fazer acreditar em artigos e teses.

Concluí também que sendo eu um cronista queridão, segue-se que meus leitores também o são! Então quero aproveitar o Natal para presentear a todos vocês com o título vitalício (mas não hereditário!) de queridão! Enfim, fica decretado que vocês são todos uns queridões. E Feliz Natal! Obrigado por tudo e voltem sempre!

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domingo, 9 de dezembro de 2007

Fábula

— Você devia se ver com os meus olhos.

O que pode um homem, ao ouvir isso, senão comover-se? Era a mais amorosa declaração de amor que jamais ouvira. Teve vontade de pedir que ela repetisse, repetisse, repetisse - como uma música que a gente não cansa de escutar. Mas não disse nada. Fechou os olhos e deixou que a frase ressoasse em sua alma, atento a cada nuance de sentimento que a constituía. Estavam ali todos os elementos do amor: a admiração, a compaixão, a esperança, o gosto pelo maravilhoso e pelo impossível. E ela o dissera num tom de voz que não deixava dúvida: só de ouvi-la, até os pássaros - e sobretudo eles - entenderiam que ela o amava.

Não queria abrir ainda os olhos porque se tornara cativo dessa boca toda feita para beijá-lo. Era fácil sentir aqueles lábios irem se desenhando sobre os seus, suas línguas se entrelaçando, indistintas. Quase sem esforço, deixou que essas sensações tão prazerosas se dissipassem e por um momento se concentrou em se ver com os olhos dela.

Um calor bom inundou seu corpo e se sentiu forte como nunca antes. Era esse então o milagre do amor? Sob os olhos dela, ele se tornava o que por si só jamais seria, transmutado pelo fogo desse amor que o aquecia sem queimar? Sua solidão seria então sua inimiga? Mas qual delas? De súbito, se deu conta de que possuía muitas solidões e dentre elas havia uma que fizera do berço sua tumba, amortalhado em mármores fingidos de cetim. Era preciso ser forte para encarar o rosto de sua solidão mais tenebrosa e derrotá-la. Era preciso se sentir amado.

Por um instante, sentiu medo de abrir os olhos - um sentimento tão antigo, anterior ao próprio tempo, quando não havia ainda palavras. Ela olhava para ele, o rosto bem próximo do seu, pois sentiu o afago inconfundível da respiração dela em sua pele. Apurou os ouvidos e percebeu que ela sorria quando repetiu:

— Você devia se ver com os meus olhos...

Ele sorriu também, sem abrir os olhos. Era bom se sentir amado.

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sábado, 8 de dezembro de 2007

Das vantagens de ser poderoso

O sujeito leva dez anos para entender uma coisa que qualquer um entende em dez minutos e acha que isso é prova de versatilidade intelectual - e não de burrice pura e simples.
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sábado, 1 de dezembro de 2007

A lei suprema

Não importa muito se a gente tem 12 anos, 18, 35 ou 50. A dificuldade em aceitar a vida como ela é nos acompanha desde cedo. De aceitar a si mesmo e os outros, enfim - porque é disso que a vida é feita, da relação consigo mesmo e com o mundo ao redor.

Mas aceitar o que, afinal? Acho paradoxal que, no fundo, o que não aceitamos é a impermanência, que sempre queiramos, e nos cobremos, algo pronto e definitivo, em face da delicada precariedade de tudo. Como se pudéssemos nos erigir em pedra, estatuas vivas, mas insensíveis.

A meditação tenta ensinar a indiferença, não a insensibilidade. Uma indiferença que resulta exatamente da aceitação da impermanência tanto do que é tomado por bom, como pelo que é tomado por mau. Porque, como me disse um amigo uma vez: "Tudo é bom!". Sim, essa idéia de que mesmo - ou sobretudo - o que contraria nossa vontade imediata traz uma lição de vida que é preciso aceitar e compreender é o ponto de partida para a resposta daquelas perguntas essenciais, primárias, que desde sempre brilham em nossa mente nos momentos mais inusitados: "O que eu sou?", "O que faço aqui?".

Nesse sentido, indiferença e insensibilidade têm sentidos opostos. Porque, enquanto indiferença aqui significa "se deixar sentir tudo", a insensibilidade é exatamente "não sentir". No entanto, a voz da insensibilidade, da negação por toda vida há de rondar nossa alma. "De onde em mim vem essa voz?" é o que ando pensando... Não sei. Certamente ela é essencial para que em mim se estabeleça o "diálogo interior" que é o fundamento da consciência lógica e moral. Mas em alguns momentos (e não são poucos) esse "interlocutor" se volta contra mim com uma fúria aterradora. Por quê? Essa mesma brutalidade irá se esparramar sobre o mundo e então a vida se converte em fardo. Pra quê?

Enfim, mexendo aqui nos arquivos do lado blog do Café Impresso, achei um post antigo onde falo de improviso sobre a oposição entre kharma (que poderíamos traduzir muito mal por "destino") e anicca, a palavra em pali que traduz a idéia de impermanência. Gostei do texto e achei que ele poderá ser útil para nós que aos 12, 18, 35 ou 50 anos lidamos com essas angústias. O título do post é "Anicca, a lei suprema":

"A lei suprema não é o kharma, a infindável teia de causas e efeitos que gera as sucessivas encarnações marcadas por sofrimento e limitação. A lei suprema é anicca, impermanência, o exato oposto do kharma.

O kharma existe e é gerado enquanto não aceitamos a impermanência, a condição finita de todas as coisas mundanas, preço que pagamos pela experiência da singularidade. Só podemos viver a experiência de sermos únicos e singulares enquanto seres finitos. Só Deus, por princípio, pode ser simultaneamente singular e infinito.

Se a genuína aceitação de anicca (impermanência) nos conduzirá a alguma nova condição de vida singular - a construção de uma alma singular, como parece ser a promessa de Cristo - é uma especulação que só nos atrapalhará na dificílima tarefa de aceitar e vivenciar anicca para superar a condição egoísta que nos escraviza ao kharma.

Há nisso um grande koan, aparentemente paradoxal: o kharma existe e não existe. Existe, como ilusão negativa do ego, como sua crença mais fundamental: se isto então aquilo - forma lógica da causalidade estrita. Não existe - ou melhor, se dissolve - quando a lei suprema da impermanência é encarnada definitivamente em uma vida.

Buda e os professores de Vipassana insistem que os alunos abandonem as especulações e se dediquem com empenho e disciplina à pratica da meditação. Essencialmente, estão nos dizendo sempre uma mesma coisa: "Vivam o presente". Eles insistem que fixemos nossa atenção no presente, no imediatamente dado, na única realidade a que temos acesso que é aquela que se identifica com as sensações do corpo.

De fato, o presente identifica-se com o sensível - do mesmo modo que a memória se identifica com o passado e a imaginação com o futuro, numa redução ideal das faculdades que constituem a consciência. O presente é o corpo, enfim.

Só o corpo e o silêncio nos pertencem genuinamente. Pois até as palavras nos são emprestadas."

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