Anicca, a lei suprema
A lei suprema não é o kharma, a infindável teia de causas e efeitos que gera as sucessivas encarnações marcadas por sofrimento e limitação. A lei suprema é anicca, impermanência, o exato oposto do kharma.
O kharma existe enquanto não aceitamos a impermanência, a condição finita de todas as coisas mundanas, preço que pagamos pela experiência da singularidade. Só podemos viver a experiência de sermos únicos e singulares enquanto seres finitos. Só Deus, por princípio, pode ser simultaneamente singular e infinito. Se a genuína aceitação de anicca (impermanência) nos conduzirá a alguma nova condição de vida singular - a construção de uma alma singular, como parece ser a promessa de Cristo - é uma especulação que só nos atrapalhará na difícilima tarefa de aceitar e vivenciar anicca para superar a condição egoista que nos escraviza ao kharma.
Há nisso um grande koan, aparentemente paradoxal: o kharma existe e não existe. Existe, como ilusão negativa do ego, como sua crença mais fundamental: se isto então aquilo. Não existe - ou melhor, se dissolve - quando a lei suprema da impermanência é encarnada definitivamente em uma vida.
Buda e os professores de Vipassana insistem que os alunos abandonem as especulações e se dediquem com empenho e disciplina à pratica da meditação. Essencialmente, estão nos dizendo sempre uma mesma coisa: "Vivam o presente". Eles insistem que fixemos nossa atenção no presente, no imediatamente dado, na única realidade a que temos acesso que é aquela que se identifica com as sensações do corpo.
De fato, o presente identifica-se com o sensível - do mesmo modo que a memória se identifica com o passado e a imaginação com o futuro, numa redução ideal das faculdades que constituem a consciência.O presente é o corpo, enfim.
Só o corpo e o silêncio nos pertencem genuinamente. Pois até as palavras nos são emprestadas.
O kharma existe enquanto não aceitamos a impermanência, a condição finita de todas as coisas mundanas, preço que pagamos pela experiência da singularidade. Só podemos viver a experiência de sermos únicos e singulares enquanto seres finitos. Só Deus, por princípio, pode ser simultaneamente singular e infinito. Se a genuína aceitação de anicca (impermanência) nos conduzirá a alguma nova condição de vida singular - a construção de uma alma singular, como parece ser a promessa de Cristo - é uma especulação que só nos atrapalhará na difícilima tarefa de aceitar e vivenciar anicca para superar a condição egoista que nos escraviza ao kharma.
Há nisso um grande koan, aparentemente paradoxal: o kharma existe e não existe. Existe, como ilusão negativa do ego, como sua crença mais fundamental: se isto então aquilo. Não existe - ou melhor, se dissolve - quando a lei suprema da impermanência é encarnada definitivamente em uma vida.
Buda e os professores de Vipassana insistem que os alunos abandonem as especulações e se dediquem com empenho e disciplina à pratica da meditação. Essencialmente, estão nos dizendo sempre uma mesma coisa: "Vivam o presente". Eles insistem que fixemos nossa atenção no presente, no imediatamente dado, na única realidade a que temos acesso que é aquela que se identifica com as sensações do corpo.
De fato, o presente identifica-se com o sensível - do mesmo modo que a memória se identifica com o passado e a imaginação com o futuro, numa redução ideal das faculdades que constituem a consciência.O presente é o corpo, enfim.
Só o corpo e o silêncio nos pertencem genuinamente. Pois até as palavras nos são emprestadas.
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